terça-feira, 7 de abril de 2026

Dor da Perda

Qual o melhor momento pra se falar da dor da perda ?

No auge em que a sentimos ou quando ela se ameniza ?

Pensei muito em escrever no auge da dor mas não o fiz, contudo, mesmo agora, dez dias após ainda me é difícil descrevê-la.

Parece patético dizer que sofro pela ausência dos meus Pets...primeiro meu menino e agora minha menina Pietra, meu bebê, minha amadinha, minha bebezuda...

Está sendo muito difícil ficar sem eles....

Dia 29 de Setembro foi o meu menino, meu Little Boy...fiquei inconsolável pelo jeito que ele partiu, culpei meu marido, que ao meu ver negligenciou o seu comportamento o que não ocorreria caso eu estivesse aqui, mas eu sei que não foi assim, ele fez o que estava ao seu alcance. Cheguei de viagem dia 23 de setembro, e pude estar com ele alguns dias antes dele falecer...olhava o seu corpinho frágil e debilitado e entre as idas e vindas do veterinário, pedi a Deus que amenizasse o seu sofrimento....e o Little partiu assim, quietinho, cansado mas silencioso, parecia que estava dormindo...chorei muito agarrada a ele; o envolvi num pano de saco branco e o acomodei numa caixa de sapato, era tão pequenino que coube com certa folga...o enterramos no nosso jardim, no dia seguinte plantamos uma mini roseira vermelha sobre o montinho de terra em que jazia....aí não teve jeito, me apeguei a ela de tal maneira como se quisesse compensar a ausência do Little e toda atenção e todo carinho foi direcionado pra minha Pietra mas eu sabia que não seria por muito tempo, eu sabia que a sua saúde não estava boa, eu sabia que o peso dos anos iria levá-la cedo ou tarde de perto de mim...ah ! e como foi cedo mais cedo do que previ...dia 29 de março há exatos seis meses da partida do Little quem nos deixou foi a minha Pietra...parece que está tão mais difícil agora...é um vazio tão grande... com a minha Bebê foi diferente, não houve negligência e os últimos dias foram os piores...eu a levava todos os dias ao veterinário e a deixava o dia todo tomando soro com medicação e quando ia buscá-la era tão desanimador porque não havia melhora, ao contrário foi um declínio cada vez maior até que na madrugada do sábado para domingo depois de medicada ela sentiu muita dor e gemeu baixinho e ali no escuro do quarto, sem querer levantar para assistir achei que pela manhã ela teria partido...mas não foi assim...ainda de madrugada carreguei-a no colo com seu corpinho agonizante e a ajeitei no sofá da sala e ali ficamos esperando o dia amanhecer....eu acariciando sua cabecinha, seus olhos abertos olhando pro nada...foram algumas horas...e a partida...ah meu Deus ! seu corpinho convulsionou...foram três contrações seguidas até a chegada de meu marido que pousou a mão sobre sua cabeça e aí sim ela descansou.....desabei a chorar como desabo agora....que dor terrível da perda.... 

De verdade achei que seria mais fácil falar sobre isso agora mas a dor, meu amigo, ainda é imensa...

A Pietra agora está ao lado do Little boy , seguimos o mesmo ritual...o pano de saco branco envolvendo seu corpinho que foi ajeitado delicadamente numa caixa de sapato, coloquei uma florzinha seca em sua testa e sobre seu túmulo plantamos uma mini rosa amarela...

Rosa vermelha Little, Rosa amarela Pietra....

"Entre as flores você era a mais bela, minha rosa amarela, que desfolhou perdeu a cor....."

*música : "Você Passa Eu Acho Graça" de Ataulpho Alves e Carlos Imperial.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

FELIZ ANO NOVO ! ou FELIZ ANO NOVO ?

 Exclamação ou Pergunta ?! Boa pergunta ! Não sei dizer.

Fico parada olhando para a tela onde a barra fixa fica piscando sem parar a espera que eu comece a digitar...e lá vou eu escrevendo essa introdução tosca enquanto penso por onde começar...

Estamos no dia 2 de janeiro do ano de 2026, acredita nisso ?! 2026 ?!?! Não demora muito é carnaval, páscoa, festa junina, inverno frio, primavera imprevisível e natal novamente e assim vai, nessa correria desenfreada sem tempo pra nada, sem alegria espontânea, sem felicidade que convença.

E aqui estou mais um ano sem saber o que fazer da minha vida, qual rumo tomar, a única certeza que tenho é que devo tomar a iniciativa, dar o primeiro passo, agir, ter a atitude mas, e o medo ? o medo de errar, o medo de estar só, o medo de falhar, de não dar conta e o pior, o medo de me arrepender, de querer retroceder, de voltar atrás e de ser tarde demais.... eu sei que preciso recomeçar, me reinventar, mas ao mesmo tempo me sinto velha demais para isso, e é exatamente assim, o motivo pelo qual ninguém acredita que seria capaz de jogar tudo para o alto e gritar "BASTA", eu mesma duvido de mim, por isso, talvez, demore pra tomar uma decisão.

Tem um ditado que diz "Os incomodados que se mudem" e eu estou incomodada e se estou me sentindo assim quem deve se retirar sou eu.

Não quero me colocar no lugar de vítima, quando o sentimento se esvai é porque uma série de fatores contribuiu para que se chegasse onde estamos, não há culpados, há fatos, situações que não foram resolvidas a contento e que nos trouxeram até aqui.

Não é recente. é antigo, muito antigo, duas décadas talvez, e eu não tive coragem quando era mais nova e fico me perguntando se terei coragem agora prestes a fazer sessenta e seis anos de idade...cara, foi uma vida inteira de contrariedade, de mágoas acumuladas, maquiando uma cara suja pra disfarçar a infelicidade de ambos.

Não dá mais porque não dá, esgotou, acabou, nem uma gota, nada vezes nada, fim.

"E agora José ?

A festa acabou as luzes se apagaram...e agora José ?" ( Carlos Drummond de Andrade)

E agora dona Silvia ?! O que fazer quando a vida se torna dura e perde totalmente a graça e o sentido no finalzinho do segundo tempo sem direito a prorrogação ?

E agora José ?!?!?!

Tenho algumas poucas certezas e nenhuma resposta.... vida segue.... nua, dura e crua.