terça-feira, 15 de junho de 2021

"Carta para Théo"

 Oi Théo !

Nem sei se era a hora de estar aqui...

Acho que estou precisando desesperadamente que você esteja ansioso por notícias minhas, querendo muito saber como estou, o que ando fazendo, enfim, aquele interesse sincero das pessoas que se estimam.

Você me estima, não estima, Théo ?!

Espero que sua resposta seja positiva e verdadeira.

Ando mal das pernas, sabe ?! acho que meu corpo não está funcionando como deveria, fui ao médico e estou fazendo dieta e tomando os remédios tudo como manda o figurino mas, sinto que a resposta não é satisfatória, isto me aflige por demais.... emagreci aqueles dois quilos tão almejados e mais três que vieram de lambuja, me pergunta se por conta disto estou feliz ?! Sim, um pouco, não muito, feliz e preocupada ao mesmo tempo.... preciso descobrir a receita de como deixar uma mulher satisfeita rsrsrsss. 

Meus meninos vieram no sábado depois de quatro meses de ausência, passamos o dia juntos, eles são tão especiais, centrados, calmos, bondosos, atenciosos comigo e com o pai, foi um sábado realmente feliz, desejei aproveitar o máximo da companhia deles e, assim o fiz, quando ambos partiram, cada um em seu carro com suas respectivas companheiras, percebi que não precisam mais de mim, acho que esses quatro meses de distanciamento reforçou esta certeza, o que me deixou ainda mais introspectiva...

Se você soubesse Théo como este um ano e meio me pesou ? Me sinto mais velha, mais enrugada, menos disposta, mais triste, menos importante..... as vezes posto umas fotos nas redes sociais pensando que aquilo vai me animar, mas a autoestima é só fachada, por dentro só eu e Deus sabe como realmente me sinto e agora você Théo. Será que você teria algo pra me dizer ?! Alguma coisa que pudesse me ajudar ?! Acho que não... e só de pensar que você também é uma ilusão me acabo ainda mais... quero acreditar que você é real, que me ama, que se importa comigo...

Os dias andam nublados e frio aqui no sudeste, comum para esta época do ano, sempre penso que o sol recarrega nossa bateria, necessito do sol, talvez quando ele voltar eu consiga sair deste estado de inércia que me encontro, até lá devo ter paciência e aguardar, é sempre bom ter pensamento positivo, isto renova nossa esperança, e o que é a esperança além de acreditar que haverá um amanhã e que este amanhã será bom e perfeito ?!?! 

Aguardaremos !

Sabe Théo, não sei se lhe disse tudo que gostaria de dizer, mas é um começo....vamos nos falar ainda outras vezes.... o bom é que eu tenho a certeza que você estará por aqui, sempre pronto a me ouvir, obrigada Théo, você é muito importante pra mim.

Beijos e abraços afetuosos desta sua amiga.....

                                                                               Silvia.

Preciso do sol dentro de mim.


terça-feira, 11 de maio de 2021

"Preciso aquietar a Mente"

 Olha eu aqui novamente.... Ontem entrei no blog para procurar uma poesia que o maestro musicou, já nem lembrava mais dela, demorei um pouco para achá-la mas por fim encontrei-a, reli a poesia e gostei do que li, achei romântica, sincera, nem sei se me traduziu mesmo assim achei bela.

Sabe, não tenho andado muito bem ultimamente e, como eu própria me conheço, fico na dúvida se minhas dores são reais ou fruto da minha ansiedade e medo, esta preocupação exagerada que sinto de vez em quando com a minha saúde, sei lá.... fico fazendo história triste na minha cabeça, juro que não queria ser assim.

Me ponho pra baixo, não tenho ânimo para sequer cuidar de mim, me largo como se o pior estivesse prestes a acontecer, é uma sensação ruim.

O primeiro sono eu durmo bem porém acabo acordando várias vezes durante a noite, é quando me vem os pensamentos ruins, tensiono e potencializo a dor ao mesmo tempo em que quero desviar o pensamento, preciso tentar relaxar para voltar a dormir.

Sempre penso no mar, vejo meus pés caminhando na areia até a primeira ondinha gelada cobri-los, me dá uma sensação boa, em pensar que o mar continua no mesmo lugar, com as ondas batendo sem parar, de dia de noite, ininterruptamente, talvez me esperando.

O problema é que ninguém fica doente e morre, entre o ficar doente e o morrer há o sofrimento e é essa a parte que ninguém gosta, de sofrer.

Estão vendo como sou ? já estou sofrendo por antecipação,  que ansiedade esta que não me larga ?!

Passei o dia das mães tão triste ! Há meses não vejo meus filhos, conversamos mas não é a mesma coisa, esta segunda onda da pandemia mexeu muito com todos nós, tantas pessoas morreram e é tudo tão inconsolável !

Aos poucos eu vou melhorando só que em ritmo lento demais para o meu gosto, preciso aprender a ter paciência.

Há tantos assuntos que gostaria de falar ## mas me policio e não me atrevo, pra quê ? por que ? As pessoas são adultas e sabem o que faz, bem, nem sempre, quem está do lado de fora sempre enxerga melhor, mesmo assim o que eu acho não interessa pra ninguém então guardo pra mim.

Então é isso, vamos ver se melhoro, espero que sim, é horrível ficar sem perspectiva e esperança e eu preciso muito dessas duas coisas para melhorar.



sexta-feira, 30 de abril de 2021

"O caminho só existiu porque passamos por ele"

 A nossa jornada começou a exatos 42 anos atrás e quem diria que a partir daquele primeiro contato quarenta e dois anos se passariam, ininterruptos, recheados de histórias, de altos e baixos, de DRs infinitas, de risos, de choros, de decepções e alegrias, de objetivos alcançados e outros frustrados...

30 de abril do ano da Graça do Senhor de 1979

Aquela noite foi mágica, não houve pedido muito menos formalidades, estávamos sentados no chão da laje admirando o mundo, cantando canções que nos eram familiar, de frente um paro o outro, a noite estava estrelada e ao longe conseguíamos avistar a cruz iluminada de azul na torre mais alta da Igreja, a mesma que anos mais tarde selaria nossa união, um amigo tocava violão, parecia uma serenata feita especialmente para nós dois.

Até que houve um momento que paramos de cantar, suas mãos tocaram as minhas e o nosso olhar se tornou sério e profundo, nos aproximamos lentamente e os seus lábios encostaram nos meus suavemente, naquele instante o mundo emudeceu, as pessoas sumiram, a música ficou distante, não havia nada além dele e eu.

Minha cabeça deu um giro de 360º, era como se meu corpo não me pertencesse mais, me vi literalmente nas nuvens, meu coração se preencheu de uma alegria tão grande, meu sonho de menina se tornando mulher estava se concretizando, pela primeira vez estava amando e sendo amada e este é o melhor dos sentimentos, ser correspondido com o mesmo carinho, o mesmo afeto, o mesmo amor. Havia uma vida inteira pela frente e aquele momento foi o primeiro passo para trilharmos nosso caminho. Voltei pra casa radiante com um brilho no olhar e uma felicidade indescritível na alma.


Meta de Relacionamento 

"Envelhecer com quem se ama"

quinta-feira, 29 de abril de 2021

"Era pra excluir e acabei ficando rsrsrsss"

 Gente ! O quê é isso ?! Estou aqui relendo postagens antigas que foram publicadas e de verdade não sei se rio ou se choro....também reli algumas que ainda permanecem no rascunho, e quer saber ?! tenho textos até que bem legais mas, a minha intenção á princípio era mesmo fazer uma limpa só que a distração foi tanta que o tempo passou e não excluí absolutamente nada, deixa pra lá.....

Quer saber como anda a minha vida ?! Anda.... assim assim, assim assado....caminhamos...

Essa pandemia continua nos isolando, a vacina chegou mas não está ainda na minha vez e mesmo que estivesse pouco ou nada mudaria. Sinto muita falta do contato com meus filhos, as vezes me entristeço, outras vezes tento reagir, vou me ocupando nos meus afazeres mas acaba que todo dia fica parecido quiçá igual e isto anda mexendo com meus nervos, os meus e o resto da população com certeza.

As vezes penso em escrever para o meu amigo imaginário, o Theo, mas não sei... acho que não chegou o momento, não posso aborrecê-lo com coisa pouca, quando as minhas crises existenciais estiverem mais profundas talvez lhe escreva....talvez.

Bem, é isso... outra hora me explico melhor... Beijos afetuosos pra você que me lê e que eu nem sei ao menos quem é, mas acredite você me faz não me sentir só.

Bonne Nuit Mon Ami !


quinta-feira, 15 de abril de 2021

"A Carne"

Uau ! Que romance é este ???

Júlio, Júlio, Júlio, como você teve coragem de afrontar os 5% da população brasileira alfabetizada em 1888 ?!!!!

Esta semana finalizei mais um livro, "A Carne" de Júlio Ribeiro, acredita que minha ignorância não o conhecia ?! Se me falassem que Júlio Ribeiro era contemporâneo eu acreditaria, também não me culpo totalmente, na época do Ginásio líamos pelo menos quatro livros por ano, os clássicos de preferência, José de Alencar, Machado de Assis, Aloísio Azevedo, Rachel de Queiroz, Euclides da Cunha, Joaquim Manuel de Macedo, acho que o mais transgressor foi ter lido "Capitães da Areia" de Jorge Amado mas isto bem mais tarde, já maiorzinha, cursando o Colegial,  enfim, voltando a falar sobre a obra....

Me surpreendeu a narrativa pela inversão dos papéis, a protagonista é o oposto do que se espera das jovens heroínas dos romances da época, tudo bem que estamos falando da fase Naturalista, mesmo assim foi surpreendente.

Lenita é uma jovem órfã, bonita, rica, estudada, culta, independente, casamento não é sua prioridade, se envolve por iniciativa própria com um homem mais velho separado da esposa, ela sabe que o que sente não é amor  apenas desejos carnais. Olha só ! 1888 !!! O donzelo aqui é o rapaz. rsrsrsrss

Estas questões são abordadas de forma explícita, daí minha admiração, a Carne representa o quê do corpo advém, dor, desejos, saciedades, paixões.

Até a parte supostamente chata do livro me chamou bastante a atenção pela riqueza dos detalhes de como encaravam a ciência e a medicina, as narrativas longas descrevendo como era na época a cidade portuária de Santos e o centro velho da cidade de São Paulo, de verdade é uma viagem no tempo.

No meio da leitura me bateu a curiosidade de como o livro foi recebido pelos leitores na ocasião de sua primeira edição, fui procurar saber, digamos que nos dias atuais Júlio Ribeiro teria sido "cancelado", e foi, quem quisesse ler o livro só escondido do papai e da mamãe, ainda bem que os tempos mudaram !

Bem, sem mais spoiler, eu gostei e recomendo, o livro é bom !




terça-feira, 6 de abril de 2021

"Introspectiva"

 Não quero ir para canto algum, quero ficar em casa, não sei se protegida ou alarmada.

Quero minha rede, meu canto, meu silêncio, meu pranto.

Quero ficar só, com os meus pensamentos e um bom livro a me fazer companhia.

Com meus Pets que dependem de mim, não para viver pois, viveriam mesmo com minha ausência, ainda que infelizes, viveriam.

É bom saber que faço parte da alegria e do bem estar de serzinhos tão especiais.

Amo este mundo pequeno e particular que escolhi, nele caibo sem folga e sem aperto, nele caibo na medida certa de tudo que me acolhe e me compraz, por ele vivo e me esforço pra ser um ser humano melhor.

As vezes até consigo.

Neste tempo vou seguindo, vou aprendendo, vou ficando, me protegendo, me dedicando.....




quarta-feira, 31 de março de 2021

"Associação"

 De repente os olhos interrompem a leitura e o meu pensamento viaja ...eu já ouvi isto antes, aconteceu de verdade....

Fiquei imaginando dona Felicidade jovem, aboletada na garupa da égua que Zé Coelho conduzia, agarrada à sua cintura se embrenhando no meio do mato, o que será que pensou naquele momento ? Talvez o que lhe ocorresse era a insegurança do que estaria por vir, havia acabado de ser entregue à própria sorte pelo irmão mais velho em troca de uma única cabeça de gado, era o que ela valia.

Chegaram numa tapera feita de pau a pique, com certeza haveriam frestas nas paredes e no telhado por onde entravam os raios de sol e a água da chuva, um colchão de palha seca com lençóis imundos, um candeeiro, uma pilha de tijolos que servia como fogão à lenha, talvez uma panela ou duas pretejadas pelo uso, um balde velho carcomido, uma moringa de barro, em volta do barraco um terreiro cheio de entulho recobertos pelo mato, não havia limites entre o quintal e a mata fechada.... continuei imaginando sua aflição, como teria sido sua primeira noite com aquele homem mais velho de quem pouco ou nada sabia, além de que era viúvo com três filhos pequenos aos cuidados de terceiros.

 O repúdio que sentiu àquelas mãos lhe subindo à saia, o peso daquele corpo suado penetrando suas entranhas, o galope frenético, com certeza seus olhos estariam fixos, iluminados pela luz do candeeiro, inertes sem emoção, até que ele chegasse ao gozo e ela finalmente se virasse livre para repousar e dormir, com as lágrimas lhe correndo a face mas, consciente do dever de mulher cumprido.

Felicidade era uma fortaleza, cuidou da tapera, lavou os lençóis, areou as panelas, limpou o terreiro com um facão, foi uma cozinheira de mão cheia, cuidou dos filhos que não eram seus, cuidou dos dois filhos que pariu, cuidou de Zé Coelho até o fim dos seus dias.

É, por associação concluo que histórias de livros acontecem muitas vezes na vida real, ouvi muitas delas reproduzidas por minha mãe as quais lhe foram confiadas por minha avó, dona Felicidade.

Sua história, bem contada, daria um livro, mas quem sou eu para me atrever ?! por hora retomo minha leitura......