terça-feira, 1 de maio de 2018

"Ciúmes"

Ciúmes - acho que é um sentimento de posse, de não querer dividir nada com ninguém, principalmente pessoas e afetos.

Não sei o que é sentir isso não.

Pelo menos não identifico nenhum sentimento dentro de mim que caracterize o ciúmes.

Acredito que as pessoas não pertençam a ninguém a não ser a elas próprias.

Não sofro desse mal.

Nunca tive ciúmes do meu companheiro, da minha mãe, irmãos, filhos, amigos, ninguém.

Se eles se entregam ou dão mais atenção a outras pessoas do que a mim, julgo que as razões são os momentos.

O que quero dizer é que aquele momento não era meu e nem pra mim, haverá o meu momento também, então pra quê me afligir.

Acho que toda pessoa tem que tentar e buscar ser feliz, mas isso não inclui a ingratidão.

Sempre procuro ser grata.

As vezes falho.

E me sinto horrível quando sou ingrata com alguém que me fez o bem.

Mas... acontece.

Em contrapartida não exijo gratidão e reconhecimento de ninguém.

Mas é um sentimento tão bom quando somos reconhecidos, dá uma alegria, uma satisfação, uma vontade de fazer mais, entende ?

Contudo é bobagem esperar.

Faço porque acho certo, faço porque acho justo, faço porque a pessoa merece.

Houve um tempo que fazia algumas cobranças e ouvia :

"Você fez porque você quis, não te pedi nada".

Na hora você leva um choque, mas depois, analisando, não tem frase mais correta.

É verdade, se a gente faz é exatamente porque queremos, porque aquilo esta nos fazendo bem, então pra quê cobrar ?

Você fica mal e deixa o outro mal também.

Horrível isso !

Há dois sentimentos que me incomodam muito mais que sentir ciúmes, são : a injustiça e a falta de respeito.

Não sei tolerar nenhum dos dois, e olha que posso dizer que sou uma pessoa muito tolerante.

Mas me sentir injustiçada e desrespeitada mexe muito com o meu brio.

Meu sangue de barata vai para o espaço.

Quanto ao ciúmes... bem... de pessoas não tenho, de "coisas", apenas algumas, as que me pertencem de fato e que são importantes demais para mim, mesmo assim posso "emprestar" mas de olho no cuidado, é perceptível, não consigo disfarçar, tipo : "Tô emprestando mas cuida", tão nítido que a pessoa desiste e dentro de mim dá um alívio.

Ufa !!! será que isso é ciúme ?!


segunda-feira, 30 de abril de 2018

"Esquisito isso !"

Todo acontecimento envolve um sentimento.

Por mais tolo que seja.

As vezes eu só quero contar uma história e outras vezes eu só quero desabafar meus sentimentos.

Tem coisas na vida que a gente aprende.

E tem outras que a gente simplesmente constata.

Ah e o pensamento ?!

O pensamento trabalha... o tempo todo.

Me intriga essa história de "destino" porque tem coisas que  a gente escolhe e tem outras que acontecem independente da nossa vontade.

E é isso que é difícil de explicar.

Por que acontece ?

Ou acontece poque tinha que acontecer.

 "há males que vem para o bem".

Acredito nisso !

As vezes nos acontece algo ruim que vamos entender e nos esclarecer lá na frente.

O que quero dizer é que se não acontecesse o dilema dificilmente resolveríamos o problema.

"Esquisito isso !".






segunda-feira, 9 de abril de 2018

"As Fotos"



Vi algumas fotos.

Fotos que não eram minhas.

Registros de momentos felizes.

Juventude, sonhos, sorrisos largos.

Quando olhei aquelas fotos antigas,

Fiz uma viagem no tempo.

E imaginei o que não vivi, afinal as fotos não eram minhas.

Aí olhando as fotos antigas, criei histórias das vidas.

Sem saber se a história imaginada foi de fato a vivida.

Cada qual tem sua história e a vida das pessoas se entrelaçam.

Fazemos parte da história um do outro.

O "clic" da foto registra o momento, aqueles segundos da história.

Mas a vida que segue são as horas.

A parte que o flash não mostra.

A parte sem o registro.

Me senti saudosa de uma história.

Que idealizei e que não era minha...



PS (esquisito isso!)



sexta-feira, 6 de abril de 2018

"Impróprio para menores de 58 anos"

Ficha Corrida para ficar mais fácil me enquadrar:

Nome: Silvia
Idade: 58 anos a partir de hoje 06 de abril de 2018
Alt.: 1.60
Peso: 58kg

Posso falar o que quiser mas devo pensar em como dizer pra não me sentir vulgar nem exagerar nas transgressões, afinal alguns assuntos são tabus para a maioria das pessoas, e não tenho a intenção de chocar ninguém.

Então qual a minha intenção ?

Preciso falar sobre mim pra tentar me entender...então vou tomar coragem e falar abertamente sobre "masturbação".
Tenho muitas dúvidas pois nunca conversei abertamente com ninguém e falando assim parece tão bobo, por que encaro a masturbação como algo natural, mas não me sinto natural muito menos confortável quando me exponho pra falar do assunto.
Aliás tudo relacionado a sexo na intimidade depois dos cinquenta é mais que tabu, é inquisição.

Vou virar carvão nessa fogueira.

Eu me masturbo.
Sim, é verdade.
Estimulo meu corpo a sentir prazer e tesão.
Faço isso espontaneamente e regularmente.
Fantasio situações com estórias imaginárias que povoam minha mente e liberam meus sentidos e meu libido.

...Por que estou dizendo isso ?!
Me questiona um anjinho me censurando.

...E por que não falar sobre isso ?!
Me incentiva  um diabinho me libertando...

Não sei, apenas quero falar, talvez precise me ouvir, ter a liberdade de dizer o que se passa comigo nesse assunto tão difícil de verbalizar.

Não se anuncia "eu me masturbo", assim, à torto e a direito, por aí, ainda mais beirando os sessenta.
É hipocrisia eu sei, uma coisa que muita gente faz mas que temos que achar que não faz... porque não se pode dizer...

Aprendi que sexo é muito bom quando se tem amor, que deve ser à quatro paredes, que cada casal tem suas regras, que não devemos expor nossa intimidade pra ninguém...só mais nada.

Será que me ensinaram direito ? Será que aprendi tudo ?! E esse tudo foi o suficiente ?!

Depois de ignorar o último ensinamento continuo com tantas dúvidas!!!

Conheço meu corpo, sei dos meus desejos mais vivos, em contrapartida estou sempre lembrando das minhas limitações.

Depois da menopausa precoce muita coisa mudou interiormente, os sintomas e as consequências me reduziram ao que sou.

E o que sou na minha intimidade ?!!!

Sou uma mulher que tem libido baixo pela falta de hormônios, isso é biológico, mas esse fator não me impede de sentir prazer na minha masturbação, existe uma outra ausência que acentua minhas limitações e essa é psicológica e mais difícil de lidar.

Há uma frustração silenciada, velada, camuflada e um desejo tímido em mudar... me sinto só e única responsável.

Penso que falar abertamente sobre esse assunto e transpor essa barreira seja um bom começo, parece tão pouco, mas sei que não é.

Acho que dei um pequeno passo... não me sinto orgulhosa, apenas envergonhada pela narrativa e muito aliviada em conseguir me ouvir.

Não pensem que foi fácil, com certeza serei enquadrada.

Quem será meu algoz ?

Serei meu próprio juiz ?

Quem ditará minha sentença ?

Então, devo ficar em pé para ouvir ?

......













quinta-feira, 5 de abril de 2018

"A esmo"




"O que a boca cala,

O coração sente,

Os olhos refletem,

O gesto diz..."



"Não foi ontem,

Há um mês

Ou

O ano passado,

Não,

Não foi,

Não acordei e senti,

Senti e acordei..."



"Verdade dói e

Mentir engana

Infelicidade tem hora e

Felicidade tem pressa...."



"Mentir é

 Ser falsa,

Omitir é

Não dizer a verdade..."




"Meu hábito é

Essa paz

Que visto,

Todos os dias,

Mas...

A falsa paz

Já não me cabe mais..."



Pensamentos !

Em fila.

Marche !




PS (de vez em quando os macaquinhos no sótão fazem uma bagunça ! ... rio).















terça-feira, 3 de abril de 2018

"Repetitiva..."

Ando quieta fazendo as coisas por fazer.

 Preciso me distrair.

 Não é bom quando estou assim porque minha cabeça trabalha, mais penso do que ajo.

E quando penso fico sempre me fazendo perguntas e se estou triste pior ainda, aí os pensamentos são mais contundentes e as perguntas mais desafiadoras.

Ah ! sei lá ! ando tão quieta e tão pensativa que até escrevendo me sinto mal.

Não é sempre que quero verbalizar o que penso, nem sempre quero me ouvir, há dias que quero apenas ficar quieta mais nada.

Meus pensamentos me deixam triste e é chato ser triste e não preciso dividir minha chatice com ninguém.

Então bora calar a boca se é pra pensar pense... as vezes é bom ... as vezes não...

sexta-feira, 30 de março de 2018

"Páscoa"

Hoje é sexta-feira santa e fiquei pensando, cinquenta anos atrás como era a nossa Páscoa...


Na semana santa tudo era pecado.

Comer carne era pecado.

Cantar era pecado.

Ficar alegre então nem se fala, pecado também.

Na sexta-feira da paixão tínhamos a obrigação de nos conter em todos os sentidos, palavrão nem em pensamento, Deus via tudo, e lia pensamentos pecaminosos inclusive.

A gente tinha que vigiar até pensamento, que droga !!! (desculpa, "droga" era pecado).

Varrer a casa só até o meio dia.
 ah ! isso era bom !

 E a louça podia ficar sem lavar ?
A mãe dizia que não, que a louça podia lavar.

Que sacanagem !!! (desculpa, "sacanagem" era pecado).

Podíamos comer bacalhau regado no azeite ou em forma de sopa com uma couve com nome esquisito, couve troncha, e que a gente chamava de trouxa.

Ah ! tínhamos como dever ficar tristes, e podíamos nos derramar em lágrimas com o filme da sessão da tarde, "Paixão de Cristo", todo ano era o mesmo filme a mesma história, no final Jesus sempre morria crucificado e a mãe de Jesus chorava e Maria Madalena chorava e a gente chorava junto.

A mãe dizia que era bom ver o filme mil vezes pra nunca esquecer : Jesus morreu na cruz para nos salvar.

Não entendia direito mas se a mãe falou não ia duvidar, ainda mais se tratando de coisa santa na sexta-feira santa.

A noite tinha procissão. Tinha que ir.

Um ano fui pagar promessa não sei de quem.

Mania besta que os outros tem de fazer promessa para o outro pagar.

Me achei linda vestida de anjo.

Me vestiram com uma camisola de cetim branco e me colocaram um par de asas com penas de verdade, não era pena de galinha pois eram muito branquinhas, acho que eram penas de ganso, tão macias que pareciam asas de verdade, na cabeça uma auréola de estrelinhas, me vi um anjo perfeito, até esqueci dos pecados.

À frente da procissão ia  o padre rezando, ao seu lado os meninos coroinhas balançavam o turíbulo, uns vasos com correntes cheios de incenso fazendo fumaça, logo atrás vinha o andor com Nossa Senhora e o corpo de Jesus morto.

Eu sabia que era estátua mas pareciam de verdade, dava dor no coração e dó só de olhar, coitadinho de Jesus.

Todo mundo que acompanhava a procissão tinha que carregar uma vela acesa protegida por um copinho de papel, ficava tão bonito aquele monte de velas.

E lá ia a procissão percorrendo as ruas do bairro com muita cantoria, hinos de igreja cantados a plenos pulmões, por doze vezes  a procissão parava e alguém começava a discursar a viacrucis; aquelas paragens deixava o caminho mais longo e ser anjo começava incomodar.

A procissão terminava na igreja junto com a minha resignação e paciência, a multidão se dispersava, todos contidos dentro do maior respeito, não se via um sorriso, os homens todos sérios e as mulheres todas chorosas e os santos coitadinhos todos cobertos com um pano roxo.

No sábado já era diferente, aquele clima pesado aos poucos diminuía, tínhamos uma missão importante, malhar Judas, o traidor de Jesus.

Os adultos pegavam uma roupa velha de homem e enchia de trapos, espumas, serragens, enchia tanto que parecia uma pessoa de verdade, era o tal do Judas Iscariotes, ele tinha sobrenome porque tinha dois Judas, e um era bonzinho, e a gente não podia malhar o Judas errado.

Perto do meio dia amarrávamos o Judas com uma corda na árvore mais próxima e munidos de pau de vassoura ou qualquer outro tipo de pau  espancávamos o tal do Judas Iscariotes até a morte.

Aí o lado perverso aflorava, nada de asinhas de anjo e como se não bastasse depois de caído e destroçado ainda ateávamos fogo no boneco.

Aleluia ! Aleluia ! e o sábado de aleluia virava uma festa.

O domingo de Páscoa era o auge da celebração,  pra variar tinha missa pela manhã, afinal Jesus havia ressuscitado e a igreja estava em festa, os santinhos todos felizes pois haviam saído do castigo de quarenta dias cobertos com aquele pano roxo.

Quanta felicidade ! as músicas eram mais alegres as pessoas se vestiam com a "roupa da missa", e todas estampavam sorrisos; no final da missa a gente se abraçava.

O almoço era caprichado e a sobremesa era ovo de chocolate, um ovo de chocolate, não um pra cada um, era um só mesmo, grande, porque a família era grande, e era dividido entre todos, inclusive entre os adultos, eles também tinham barriga.

O ovo durava o tempo de acabar e lamber os dedos e os beiços até o último vestígio do chocolate.

E assim terminava nossa Páscoa.

Hoje em dia tá tudo diferente.

Todo mundo canta, dança, varre a casa ,fala palavrão.

A semana santa é tipo páscoa, com peixe salgado tipo bacalhau, com azeite tipo extra virgem, com bolo tipo colomba e o ovo tipo chocolate.