sexta-feira, 30 de abril de 2021

"O caminho só existiu porque passamos por ele"

 A nossa jornada começou a exatos 42 anos atrás e quem diria que a partir daquele primeiro contato quarenta e dois anos se passariam, ininterruptos, recheados de histórias, de altos e baixos, de DRs infinitas, de risos, de choros, de decepções e alegrias, de objetivos alcançados e outros frustrados...

30 de abril do ano da Graça do Senhor de 1979

Aquela noite foi mágica, não houve pedido muito menos formalidades, estávamos sentados no chão da laje admirando o mundo, cantando canções que nos eram familiar, de frente um paro o outro, a noite estava estrelada e ao longe conseguíamos avistar a cruz iluminada de azul na torre mais alta da Igreja, a mesma que anos mais tarde selaria nossa união, um amigo tocava violão, parecia uma serenata feita especialmente para nós dois.

Até que houve um momento que paramos de cantar, suas mãos tocaram as minhas e o nosso olhar se tornou sério e profundo, nos aproximamos lentamente e os seus lábios encostaram nos meus suavemente, naquele instante o mundo emudeceu, as pessoas sumiram, a música ficou distante, não havia nada além dele e eu.

Minha cabeça deu um giro de 360º, era como se meu corpo não me pertencesse mais, me vi literalmente nas nuvens, meu coração se preencheu de uma alegria tão grande, meu sonho de menina se tornando mulher estava se concretizando, pela primeira vez estava amando e sendo amada e este é o melhor dos sentimentos, ser correspondido com o mesmo carinho, o mesmo afeto, o mesmo amor. Havia uma vida inteira pela frente e aquele momento foi o primeiro passo para trilharmos nosso caminho. Voltei pra casa radiante com um brilho no olhar e uma felicidade indescritível na alma.


Meta de Relacionamento 

"Envelhecer com quem se ama"

quinta-feira, 29 de abril de 2021

"Era pra excluir e acabei ficando rsrsrsss"

 Gente ! O quê é isso ?! Estou aqui relendo postagens antigas que foram publicadas e de verdade não sei se rio ou se choro....também reli algumas que ainda permanecem no rascunho, e quer saber ?! tenho textos até que bem legais mas, a minha intenção á princípio era mesmo fazer uma limpa só que a distração foi tanta que o tempo passou e não excluí absolutamente nada, deixa pra lá.....

Quer saber como anda a minha vida ?! Anda.... assim assim, assim assado....caminhamos...

Essa pandemia continua nos isolando, a vacina chegou mas não está ainda na minha vez e mesmo que estivesse pouco ou nada mudaria. Sinto muita falta do contato com meus filhos, as vezes me entristeço, outras vezes tento reagir, vou me ocupando nos meus afazeres mas acaba que todo dia fica parecido quiçá igual e isto anda mexendo com meus nervos, os meus e o resto da população com certeza.

As vezes penso em escrever para o meu amigo imaginário, o Theo, mas não sei... acho que não chegou o momento, não posso aborrecê-lo com coisa pouca, quando as minhas crises existenciais estiverem mais profundas talvez lhe escreva....talvez.

Bem, é isso... outra hora me explico melhor... Beijos afetuosos pra você que me lê e que eu nem sei ao menos quem é, mas acredite você me faz não me sentir só.

Bonne Nuit Mon Ami !


quinta-feira, 15 de abril de 2021

"A Carne"

Uau ! Que romance é este ???

Júlio, Júlio, Júlio, como você teve coragem de afrontar os 5% da população brasileira alfabetizada em 1888 ?!!!!

Esta semana finalizei mais um livro, "A Carne" de Júlio Ribeiro, acredita que minha ignorância não o conhecia ?! Se me falassem que Júlio Ribeiro era contemporâneo eu acreditaria, também não me culpo totalmente, na época do Ginásio líamos pelo menos quatro livros por ano, os clássicos de preferência, José de Alencar, Machado de Assis, Aloísio Azevedo, Rachel de Queiroz, Euclides da Cunha, Joaquim Manuel de Macedo, acho que o mais transgressor foi ter lido "Capitães da Areia" de Jorge Amado mas isto bem mais tarde, já maiorzinha, cursando o Colegial,  enfim, voltando a falar sobre a obra....

Me surpreendeu a narrativa pela inversão dos papéis, a protagonista é o oposto do que se espera das jovens heroínas dos romances da época, tudo bem que estamos falando da fase Naturalista, mesmo assim foi surpreendente.

Lenita é uma jovem órfã, bonita, rica, estudada, culta, independente, casamento não é sua prioridade, se envolve por iniciativa própria com um homem mais velho separado da esposa, ela sabe que o que sente não é amor  apenas desejos carnais. Olha só ! 1888 !!! O donzelo aqui é o rapaz. rsrsrsrss

Estas questões são abordadas de forma explícita, daí minha admiração, a Carne representa o quê do corpo advém, dor, desejos, saciedades, paixões.

Até a parte supostamente chata do livro me chamou bastante a atenção pela riqueza dos detalhes de como encaravam a ciência e a medicina, as narrativas longas descrevendo como era na época a cidade portuária de Santos e o centro velho da cidade de São Paulo, de verdade é uma viagem no tempo.

No meio da leitura me bateu a curiosidade de como o livro foi recebido pelos leitores na ocasião de sua primeira edição, fui procurar saber, digamos que nos dias atuais Júlio Ribeiro teria sido "cancelado", e foi, quem quisesse ler o livro só escondido do papai e da mamãe, ainda bem que os tempos mudaram !

Bem, sem mais spoiler, eu gostei e recomendo, o livro é bom !




terça-feira, 6 de abril de 2021

"Introspectiva"

 Não quero ir para canto algum, quero ficar em casa, não sei se protegida ou alarmada.

Quero minha rede, meu canto, meu silêncio, meu pranto.

Quero ficar só, com os meus pensamentos e um bom livro a me fazer companhia.

Com meus Pets que dependem de mim, não para viver pois, viveriam mesmo com minha ausência, ainda que infelizes, viveriam.

É bom saber que faço parte da alegria e do bem estar de serzinhos tão especiais.

Amo este mundo pequeno e particular que escolhi, nele caibo sem folga e sem aperto, nele caibo na medida certa de tudo que me acolhe e me compraz, por ele vivo e me esforço pra ser um ser humano melhor.

As vezes até consigo.

Neste tempo vou seguindo, vou aprendendo, vou ficando, me protegendo, me dedicando.....




quarta-feira, 31 de março de 2021

"Associação"

 De repente os olhos interrompem a leitura e o meu pensamento viaja ...eu já ouvi isto antes, aconteceu de verdade....

Fiquei imaginando dona Felicidade jovem, aboletada na garupa da égua que Zé Coelho conduzia, agarrada à sua cintura se embrenhando no meio do mato, o que será que pensou naquele momento ? Talvez o que lhe ocorresse era a insegurança do que estaria por vir, havia acabado de ser entregue à própria sorte pelo irmão mais velho em troca de uma única cabeça de gado, era o que ela valia.

Chegaram numa tapera feita de pau a pique, com certeza haveriam frestas nas paredes e no telhado por onde entravam os raios de sol e a água da chuva, um colchão de palha seca com lençóis imundos, um candeeiro, uma pilha de tijolos que servia como fogão à lenha, talvez uma panela ou duas pretejadas pelo uso, um balde velho carcomido, uma moringa de barro, em volta do barraco um terreiro cheio de entulho recobertos pelo mato, não havia limites entre o quintal e a mata fechada.... continuei imaginando sua aflição, como teria sido sua primeira noite com aquele homem mais velho de quem pouco ou nada sabia, além de que era viúvo com três filhos pequenos aos cuidados de terceiros.

 O repúdio que sentiu àquelas mãos lhe subindo à saia, o peso daquele corpo suado penetrando suas entranhas, o galope frenético, com certeza seus olhos estariam fixos, iluminados pela luz do candeeiro, inertes sem emoção, até que ele chegasse ao gozo e ela finalmente se virasse livre para repousar e dormir, com as lágrimas lhe correndo a face mas, consciente do dever de mulher cumprido.

Felicidade era uma fortaleza, cuidou da tapera, lavou os lençóis, areou as panelas, limpou o terreiro com um facão, foi uma cozinheira de mão cheia, cuidou dos filhos que não eram seus, cuidou dos dois filhos que pariu, cuidou de Zé Coelho até o fim dos seus dias.

É, por associação concluo que histórias de livros acontecem muitas vezes na vida real, ouvi muitas delas reproduzidas por minha mãe as quais lhe foram confiadas por minha avó, dona Felicidade.

Sua história, bem contada, daria um livro, mas quem sou eu para me atrever ?! por hora retomo minha leitura......


segunda-feira, 29 de março de 2021

"5ªJ"

 Toda vez que termino uma leitura me sinto inspirada à escrever, dia desses finalizei o livro "Tempos de Escola", uma coletânea de contos, crônicas e memórias de autores diversos.

Fiquei impressionada com as narrativas e concluí que mesmo com distanciamento da realidade física entre os séculos, os anseios, os medos os sonhos de toda criança são muito parecidos mesmo nos dias atuais.

Tenho a memória curta enquanto aluna, são poucas lembranças do meu tempo de escola em compensação armazenei inúmeras passagens no papel de professora.

Uma delas aconteceu em meados da década de 90....

Eu não sei de quem foi a infeliz ideia de juntar os piores alunos de cada sala em uma única turma, a famosa e temida 5ªJ

Uma sala aparentemente pequena e inofensiva, mas qual !!!!!! Eram doze alunos, ou melhor,  doze meninos/homens cujas idades variavam entre os quatorze e dezessete anos, naquela época não havia a promoção automática e a reprovação os obrigava a permanecer na mesma série ano após ano.

Os piores em todos os sentidos, não havia respeito, educação, interesse em aprender, motivação, nada que os fizesse acordar pra vida.

Compulsoriamente para os professores mais novos foram atribuídas as aulas com a desafiadora tarefa de "domesticar as feras".

Toda aula havia uma ocorrência relativamente grave, certa vez enquanto o professor de Geografia escrevia na lousa, alguns alunos debandaram pelo corredor da porta acobertado pelos demais e saquearam a cantina da escola, voltando vitoriosos com as guloseimas roubadas e distribuindo entre os comparsas numa tremenda algazarra, enfim já não havia mais espaço no caderninho preto onde todos eram fichados e, mesmo que houvesse, aquilo não mais os intimidavam.

O que me restava antes de entrar naquela sala era rezar vinte padre-nossos, trinta ave-marias, me benzer, respirar fundo, afiar as ferraduras, fechar a cara estufar o peito, precisava antes de tudo me armar de coragem para encará-los de frente e assim pisando duro e disfarçando o medo adentrei à jaula dos leões famintos.

Pelo silêncio que me receberam pressenti que havia algo errado mas me convenci que poderia estar enganada, fiz a chamada, registrei o conteúdo da aula no diário de classe e munida das ferramentas que dispunha, uma régua e um esquadro de madeira comecei a aula....aí veio o martírio, enquanto estava de costas começou um gemido baixinho que não identifiquei bem à princípio e fingi não me incomodar dando continuidade a explicação, mas o gemido persistiu agora um pouco mais alto, me virei e com olhar fuzilante de reprovação tentei identificar o meliante deixando claro que não aprovava a situação, retornei ao quadro negro e a gemeção ficou mais explícita, mais intensa, identificando com mais clareza do que se tratava, era inacreditável que aquilo estivesse acontecendo comigo, tentei ignorar mais uma vez, quem sabe a brincadeira sem graça se esgotasse por si, mas não foi o que sucedeu, a gemeção e a respiração ofegante cada vez mais alta foi se intensificando tremi, o esquadro já não se encaixava na mão, estava confusa, envergonhada sem saber como agir, era muita petulância, me virei furiosa querendo explodir, respirei fundo e com as duas mãos apoiadas sobre a mesa os desafiei : haveria ali homem suficiente que além da gemeção pudesse se apresentar e pedir desculpas ?! Todos me olharam em silêncio, ninguém se apresentou, havia um cinismo no ar, todos estavam mancomunados, desisti de dar continuidade a matéria, me sentei de frente pra sala e agora era eu que permanecia em silêncio, fitando-os indignada, na minha cabeça a única coisa que me ocorria era como o Sidney Poitier havia conseguido, me senti um zero à esquerda, grandíssimos filhos da puta !

 



 


quarta-feira, 17 de março de 2021

"Tempo de Escola"

 Juro que eu pensei que minha memória fosse boa e descobri que não é.

Eu não sei como se chama isto, se é coincidência ou se atraímos as coisas de acordo com nosso estado de espírito, nossas vibrações ou sei lá o quê ?

Ontem quis postar uma foto minha com meu pai e foi difícil encontrar, sou de uma época em que as fotos eram raras, aí encontrei uma, estávamos dançando no meu baile de formatura, foto ainda em branco e preto e aleatoriamente postei no meu Instagram.

Quando foi à noite, um pouco antes de dormir, recebi uma mensagem de uma amiga minha do tempo do ginásio me dizendo que o nosso baile de formatura havia  acontecido neste mesmo dia.

Devo admitir que esta minha amiga tem mesmo uma memória de elefante ! Lembrar de uma data aparentemente irrelevante.

Não sei se foi coincidência ou se minha mente já estava voltada para estas relembranças, fato é que também estou às voltas com um livro de crônicas de alguns autores brasileiros que narram este período que fez e ainda faz parte da vida das pessoas que é o tempo de escola.

O tempo de escola é a melhor fase da vida ! É a fase do aprendizado, da construção da personalidade, da solidificação das amizades, da fé no futuro que sempre nos aguarda com aquele ponto enorme de interrogação, dos amores platônicos, do primeiro namorado, do primeiro beijo...

Relembrar dos nossos mestres, nossos amigos, os que se perderam e os que se mantiveram ao longo dos anos, relembrar dos nossos pais cheios de preocupações e compromissos e a gente nem se dava conta do quão jovens eles eram, a gente só pensava e sonhava com o grande baile de formatura... ah saudade apertada !

Pensa se não é uma grande bobagem querer participar de uma formatura de ginásio, pensa... foi tão sacrificado pagar aquela formatura pra mim, pra que eu não ficasse por baixo de ninguém, pra que eu me sentisse feliz e eles orgulhosos da minha conquista...cara que conquista ? eu tinha terminado a oitava série, conquistamos o quê com o ensino fundamental ?!!...mas era moda e mergulhávamos de cabeça nessas babaquices, mas sabe, se não houvesse acontecido o baile a foto em preto e branco não existiria e a minha amiga não teria me lembrado deste dia cuja importância está na memória do orgulho que meus pais sentiram de mim.



16 de março de 1975