É estranho estar de volta. É estranho abrir o computador de mesa. É estranho ver o teclado tão empoeirado. É estranho escrever. É mais estranho ainda não ter você nesse mundo para ler. É tudo muito estranho.
Você se foi um dia antes de começar a Primavera, e me fez lembrar do poema de Alberto Caeiro ....
"Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verde que a primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morreria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir se não no seu tempo ?
Gosto de tudo que seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse,
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo;
Podem rezar latim sobre o meu caixão se quiserem.
Se quiserem, podem cantar e dançar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é".
*Fernando Pessoa.
È meu amigo, qual a graça agora ?! Não se muda os fatos, temos apenas que aceitá-lo.
Não sei se acredito em vida após a morte, ainda mais sabendo que é tão romântico acreditar ! Pensar que um dia talvez, possamos nos reencontrar....coisa de filme romântico não é ?!
Mas, por outro lado sou muito "Caeiro".... deixei o bonde passar. As coisas são exatamente como são e nada vai mudar, tudo vai continuar acontecendo independente de estarmos aqui ou não. Tivemos uma breve história, eu pra você, um parágrafo, você pra mim, um livro inteiro.
*13/08/1956
+22/09/2026