domingo, 4 de outubro de 2026

"Há quanto tempo !"

É estranho estar de volta. É estranho abrir o computador de mesa. É estranho ver o teclado tão empoeirado. É estranho escrever. É mais estranho ainda não ter você nesse mundo para ler. É tudo muito estranho.

Você se foi um dia antes de começar a Primavera, e me fez lembrar do poema de Alberto Caeiro .... 

"Quando vier a primavera,

Se eu já estiver morto,

As flores florirão da mesma maneira

E as árvores não serão menos verde que a primavera passada.

A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme

Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morreria

E a primavera era depois de amanhã,

Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.

Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir se não no seu tempo ?

Gosto de tudo que seja real e que tudo esteja certo;

E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse,

Por isso, se morrer agora, morro contente, 

Porque tudo é real e tudo está certo;

Podem rezar latim sobre o meu caixão se quiserem.

Se quiserem, podem cantar e dançar à roda dele.

Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.

O que for, quando for, é que será o que é".


                                                                 *Fernando Pessoa.

È meu amigo, qual a graça agora ?! Não se muda os fatos, temos apenas que aceitá-lo.

Não sei se acredito em vida após a morte, ainda mais sabendo que é tão romântico acreditar ! Pensar que um dia talvez, possamos nos reencontrar....coisa de filme romântico não é ?!

Mas, por outro lado sou muito "Caeiro".... deixei o bonde passar. As coisas são exatamente como são e nada vai mudar, tudo vai continuar acontecendo independente de estarmos aqui ou não. Tivemos uma breve história, eu pra você, um parágrafo, você pra mim, um livro inteiro.


*13/08/1956

+22/09/2026





Nenhum comentário:

Postar um comentário