domingo, 9 de fevereiro de 2020

"ET"

A gente não descobre aquilo que a gente já sabe.

Fazemos apenas a triste constatação.

Cada pessoa tem um jeito, e o meu, bem, o meu é um jeito difícil de ser ou de se envolver.

Não tenho saco para um monte de coisas.

Frescuras, rapapés, festas, muita gente, gente chata, receber.... enfim, a lista é grande.

Sempre que posso saio fora, mas tem vezes que é impossível me esquivar.

Não estou reclamando pelo fato das pessoas se empolgarem com as frescuras, rapapés, festas e etc, só não consigo me envolver com aquela animação, que com certeza não esperam de mim, eu não sei o que acontece, não sei se enxergo demais, mas me soa tudo tão falso.... ah, sei lá, tentarei fazer a minha parte da melhor forma possível.

Deu.

Meu Deus !!!!

*Podem me chamar de Extra Terrestre, Autista, Bicho do Mato, Anti Social, tanto faz.

Cada um é o que é e eu odeio rapapé (versinho tosco né ?!).


***** Hoje está ventando pra caramba e eu só consigo pensar que neste momento queria muito ser a "irmã Bertrilli" (The Flying Nun), mais nada !

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

A noite, na madrugada adentro, minha cabeça trabalha melhor.

 Tudo clareia, Insights me chegam assim vindos do nada.

São frases soltas, profundas, que vão se repetindo em minha mente propositalmente, com medo de perdê-las.

Queria guardá-las todas na memória, com certeza dariam bons textos.

Mas não é isso que acontece..... (olha o "mas" em minha vida)..... elas se perdem quando desperto pela manhã.

Poderia anotá-las num caderno ao lado da cama ou quem sabe usar o celular, mas na escuridão do quarto é impossível e a claridade do celular atrapalharia o sono alheio e não é meu desejo atrapalhar.

No dia seguinte me lanço ao acaso da sorte, ou eu me lembro ou fico na vontade de lembrar.

Normalmente fico só na vontade, por mais que puxe pela memória a frase nunca me vem inteira, então o "insight" se perde entre as preocupações e as tarefas cotidianas.

Fico "bolada" pra caramba!

Mas adianta ?!!! Não.

Bolas ! Bolas ! Bolas !


*

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

"Minhas Impressões"

Acabei de ler o livro de Paul Auster "A Invenção Da Solidão" e aproveitando que tudo ainda está fresco na "cabeça" deixarei aqui minhas impressões :


O livro foi dividido em duas partes.

Na primeira, Auster narra em primeira pessoa sobre os dias que se seguiram após a morte de seu pai, denominado "o homem invisível" dada a relação difícil e distante entre ambos e também a descoberta de um segredo de família, fatos estes que o motivaram a escrever com a urgência de quem teme que o tempo apague brevemente suas lembranças. *Pra mim foi brilhante.

Na segunda parte do livro intitulado "livro da memória", a narrativa se faz em terceira pessoa e fica nítido a intenção do autor em contar a sua relação com o filho no seu papel de pai.
Para isto ele vai se utilizando de várias referências nas diferentes linguagens estéticas, fazendo inúmeras citações de obras literárias e artísticas, entre elas, Van Gogh, Anne Frank, Pinóquio e por aí vai. *Achei genial.

Com relação ao título a reflexão fica por conta da frase :

"E tudo o que foi, nunca será de novo, sempre". (Paul Auster).

O momento mais solitário na vida de um homem é o momento que ele se recorda daquilo que perdeu para sempre, inevitavelmente. *Triste né ?!


Silvia. Fevereiro. 2020.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

"Postura"

Minha postura mudou muito de uns tempos para cá.

Ando mais confiante com relação aos meus sentimentos.

Não me sinto orgulhosa, feliz ou infeliz.

Sinto apenas que estou sendo verdadeira comigo.

E isto está me bastando.

Se digo o que sinto não é para ferir, atacar ou magoar ninguém.

Se digo o que sinto é porque estou conseguindo dizer.

Sem ter influências externas.

Sem me deixar levar pelas minhas fantasias e devaneios.

Sem me sentir culpada ou nada parecido.

Venho aqui e escrevo quase todos os dias.

Sei que é público mas isto não importa.

Não quero saber se minha vida interessa alguém.

Meu ego está tão comportado, reflexo da minha postura também.

Quando escrevo, escrevo pra mim, para que eu possa tentar expor em palavras todos estes sentimentos que me atordoam.

Isto está me ajudando.

Estou conseguindo ver o que antes era muito mais confuso para mim.

Não quero ser a dona da razão, nem me encher de certezas, mesmo porque erro pra caramba.

É muito difícil admitir os nossos erros.

Mas independente do que é certo e do que é errado, a minha postura é me manter firme nas minhas convicções.

Não vem ao caso decidir ou protelar algumas decisões, mesmo porque de certa forma elas já foram tomadas.

Minha postura é esta.

Talvez fria e distante.

Talvez desacreditada do amor.

Tentando seguir adiante.

Lendo, praticando atividade física.

Fazendo planos para um futuro próximo.

Distraindo a cabeça.







sábado, 1 de fevereiro de 2020

"En attendant Godot"

Não somos iguais, talvez parecidos, alguns mais do que outros, mas igual, igualzinho, nem gêmeos univitelinos são, cada pessoa tem sua própria identidade sua maneira particular em enxergar a vida em lidar com problemas, superar obstáculos, enfim.... mas as paixões humanas, as crises existenciais, estas sempre irão existir, sempre ! E elas são únicas, e pertence á todos, indistintamente. Percebo isto todas as vezes que pego um livro para ler, não importa se de mil e setecentos, mil e novecentos ou o best-seller do momento. O "ser ou não ser"e todos os questionamentos sobre a vida e a morte, são atuais, todas as dúvidas inerentes a cada indivíduo, estão aqui dentro, no âmago. Sentimentos que permeiam os dias, provocados por conflitos de qualquer natureza, internos ou externos, legítimos ou inventados, estes sempre irão existir e causar reações, claro que individuais mas que se assemelham, se encaixam, que nos tornam de certa maneira iguais, ou sei lá como exemplificar, fato é que por conta disto  nos identificamos ou nos espelhamos em determinadas situações ou personagens....acontece, e não me admiro quando o autor consegue exprimir em palavras sentimentos que  não saberia pensar, dizer ou escrever, apenas sentir e me identificar .... confuso não é ?! mas eu sou confusa, sou este ser humano cheio de dúvidas, que tenta ponderar, relevar, que não sabe como agir, que tem dificuldade para decidir, que carrega toda culpa de existir, que se ama, que se odeia.... faz tempo ando esperando Godot, ontem esperei Godot, hoje talvez Godot apareça, e se não vê-lo hoje, quem sabe amanhã ?!

*A eternidade é como a noite, uma criança travessa.



Ando com a cabeça em maré alta, mar revolto .....mareada !

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

"Um Mês"

Meu coração está triste e não é por uma paixão inventada, mal correspondida, quisera eu que fosse, seria muito mais fácil suportar.

 Minha tristeza é de outra natureza, muito mais profunda e doída.

 Minha tristeza tem nome, sobrenome, endereço, cidade, país, CEP.

Faz um mês que não nos vemos, não é uma condição imposta alheia a nossa vontade, não, não é, este distanciamento foi uma escolha involuntária provocada por outrem.

Culpado ou inocente ?

 Qual o limiar entre o que é certo e o que é errado ?!

O que sei é que somos responsáveis pelos nossos atos, não vou me eximir nem tampouco tapar o sol com a peneira, não mais, erramos, e erramos feio !

Errei em aceitar, em ser omissa, errei tentando consertar, errei colocando panos quentes, errei querendo desculpar o que não tem desculpa nem justificativa, simplesmente errei.

Por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa !

Não sei por quê, mas coração de mãe pesa mais, nascemos culpadas.

Foram minhas escolhas que me sentenciaram e me condenaram ao exílio.

Sinto sua falta e a minha tristeza só aumenta na medida em que minha consciência me diz que assim será, por um bom tempo, quanto tempo ?!

Será que devo acreditar que o "pra sempre" sempre acaba ?!

A eternidade é muito longa....

Já tentei outros caminhos para me reaproximar, mando mensagens que são vagamente respondidas, sucintas, monossilábicas, isto quando não são literalmente ignoradas.

É uma via de mão única.

Caminho só e nem sei onde vou parar.

O que sinto é esta tristeza tamanha, um pedaço importante de mim partiu, meu mundo ruiu.

Preciso reconstruir esta ponte, mas toda vez que  eu tento a outra margem se afasta cada vez mais....

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Diário, 30 de Janeiro 2020

Não há como escapar de certas situações, velório de pessoa relativamente próxima é uma delas, e a dona Ana fez parte da minha infância e adolescência, crescemos todos juntos, os filhos dela, os filhos de minha mãe, os filhos dos outros vizinhos, éramos uma grande turma de rua.

"Engraçado", entre aspas, foi encontrar boa parte desta turma depois de tantos anos, porque não dizer décadas. Muitos não reconheci, sabia que aquela cabeça pertencia a algum pescoço, mas Qual ? Quem ? Difícil adivinhar. Apelei para minha mãe que tem a cabeça mil vezes melhor que a minha, lembra de tudo e de todos com nitidez, daí com sua ajuda fui reconhecendo as pessoas aos poucos, sem dar muita trela, pois não estava afim de me socializar.

Cara, tá todo mundo velho, uns mais acabados que outros, o peso dos anos foi muito cruel para alguns, e o pior de tudo foi me encaixar naquele contexto, pois também estou velha, me olho no espelho e acho que estou bem para minha idade, mas será que estou bem á vista dos outros ? Vai saber né ?! Contudo não fiquei triste, deprimida e nem nada que me pusesse para baixo, ao contrário, achei um tanto de graça, por um lado é bom saber que o tempo está passando pra todo mundo, não só pra mim.

 Bem, mas não é apenas isso que aconteceu....

Um homem veio em nossa direção, nos abraçou e beijou mostrando certa intimidade, dizendo que mesmo não o reconhecendo ele se lembrava da gente muito bem, sorri sem graça, emudeci. Conversou alguns minutos com minha mãe, pediu seu telefone, anotou em seu celular e por fim se afastou.
- Quem era a "peça rara" ?!
- O Donizete, amigo do seu pai, claro que você lembra !

Não, não lembrava, mas fiquei observando-o de longe, então era ele, o tal do Donizete, "amigão" do meu pai, considerado por todos da família, menos por mim.

Olhar para o Donizete é relembrar da circunstância da morte de meu pai, é abrir aquele ponto de interrogação enorme na minha cabeça que persistiu durante anos. Queria ter o poder de olhar fundo nos seus olhos e extrair o que de fato aconteceu.

Nunca acreditei na teoria de latrocínio, houve outros fatos que também nunca foram esclarecidos.
 As circunstâncias que sucederam após a morte do meu pai, tem o Donizete e sua esposa nas minhas lembranças nos mínimos detalhes.

Já havia tempos que não remoía este assunto e encarar o Donizete reascendeu minhas dúvidas.

Fato é que deixei o tempo passar e depois de dezenove anos não há mais nada que possa ser feito.

Esta dúvida me pertence, ninguém nunca me ouviu de verdade, todos amenizaram os fatos, a teoria do latrocínio transformou meu pai num herói pra todo mundo menos pra mim, meu pai era de carne e osso, ser humano bom, passível de erro como qualquer pessoa, eu só não queria estar sendo leviana, por isso precisava tanto da verdade.

Morrerei sem saber.