terça-feira, 7 de julho de 2020

Diário 07/07/2020

Escrevi para um amigo.

Um amigo que se encontra triste.

Talvez ele leia a minha mensagem ou talvez a ignore, não sei...

Só espero que ele fique bem.

Acho que teria mais coisas para dizer mas não vem ao caso.


*pela manhã estava sem internet  e perdi o fio da meada....

segunda-feira, 6 de julho de 2020

"Síndrome das Segundas-Feiras"

Estou batizando meus pesadelos de Síndrome das Segundas-Feiras.

Tive uma noite mal dormida, fruto dos meus medos, que não são tolos, medos exagerados de tudo a minha volta ou de tudo que está por vir, meu corpo fica em alerta esperando sempre o pior... queria ter o poder de mudar este sentimento ruim.

Mais uma semana que se inicia cheia de incógnitas... dá um aperto no peito... as atividades estão voltando ao normal... sei que é impossível deixar tudo como antes, sei que tenho que enfrentar esta nova realidade e... saber a gente sabe, o difícil mesmo é me convencer.

Me obrigar a encarar os fatos com naturalidade sem aquelas cobranças de que devo ser forte que devo encarar o que vier e como vier, que não posso me deixar levar muito menos fazer história triste na minha cabeça antes mesmo delas se concretizarem já é por si só uma tortura.

São pensamentos ruins que fabricam e alimentam os meus medos...

Preciso pelo menos tentar me corrigir...ou dizer pra mim mesma que tudo é uma fase e que logo logo estes medos irão embora junto com todas as minhas dores físicas e emocionais.

Caramba, é horrível começar a semana assim !

domingo, 5 de julho de 2020

"Pacotinho"

Os dias seguem frios e eu me sinto um pacotinho embrulhado na minha cama, o peso das cobertas é tão grande que pela manhã estão intactos sobre mim, sinto preguiça para levantar mas, meus filhos de patas e pelos são insistentemente chatos, azucrinam minha paciência até conseguirem o que querem, me levanto.

Começo o meu dia bem humorada, pelo menos é assim que me proponho, exceto os dias em que estou realmente mal, caso contrário me olho no espelho e esboço um sorriso, meu primeiro sorriso do dia é pra mim, e teço alguns elogios também, mentalmente elevo minha estima dizendo que sou bonita pra minha idade e que estou bem de saúde e, sempre dou um jeito de estar.

Sorrio e me observo, faço um esforço danado para ressaltar as minhas qualidades, talvez até por não me reconhecer nelas, sabe como é, cara inchada, descabelada, tudo ao natural, não me engano mas me animo, sou o que sou mas posso ser o que pretendo ser, talvez...

É domingo de inverno; o sol vai se abrir.

E é este sol energizante que vai desembrulhar este pacotinho aos poucos, delicadamente.

Revigoro as minhas forças, sigo adiante, devagar, lenta e preguiçosa até ser totalmente desembrulhada.... mais alguém ?!

*....de virada desço o queixo e rio amarelo....
"Mais Alguém"







sábado, 4 de julho de 2020

Entre o Fusca e o Apartamento"

Decidir entre o fusca e o apartamento não foi uma escolha simples e insensata, ao contrário foi sofrida e muito ponderada e, embora o apartamento fosse muito mais importante que se ter um carro, optei pelo carro.

Foi meu irmão mais velho que nos ofereceu ambas e tentadoras propostas, o apartamento que ele havia comprado era no quinto andar com vista para a frente já o apartamento disponível ficava no mesmo andar só que virado para os fundos por isso bem mais barato, a entrada caberia direitinho no nosso orçamento mas sem nenhuma folga, o problema era minha situação como professora do estado, na ocasião eu era ACT (admitida em caráter temporário) e todo final de ano eu "perdia" entre aspas as minhas aulas e nunca sabia se no ano seguinte eu as teria novamente para garantir o meu salário, esta insegurança e este medo me fizeram desistir do aparatamento nos restando a opção do fusca e, olha como são as coisas, nunca fiquei sem aulas e o fusca depois de 35 anos de serventia ainda hoje permanece na garagem guardado como uma relíquia para relembrarmos dos velhos tempos.

Então não foi uma escolha idiota, e sim de uma pessoa que sempre deu o passo do tamanho da perna, nunca arrisquei em compensação nunca perdi o sono por causa de dívidas, as minhas preocupações sempre foram outras.

Talvez eu não seja tão bestial quanto aparento ser, ou talvez seja mas, só um
pouquinho !


sexta-feira, 3 de julho de 2020

"Fusca Branco"

Nós havíamos conseguido juntar três mil não sei se cruzeiros, cruzado ou cruzado novo muito menos quanto este valor se equivaleria nos dias atuais.
Foi quando nos surgiu simultaneamente duas excelentes oportunidades, dar entrada num apartamento ou comprar um carro usado e, embora a aquisição da casa própria fosse muito mais importante e necessário que se ter um carro, hesitei, compramos o carro, um fusca branco 1975, dez anos de uso, pago nota por nota zerando mais uma vez a conta poupança.

Me vi a mais feliz das proprietárias após dez anos de carteira com o meu primeiro automóvel, agora só precisava treinar para sair rodando por aí.

Recorri ao meu pai que meio a contra gosto resolveu me dar as primeiras aulas práticas de volante, que roubada ! a sua falta de paciência me levaram as lágrimas em compensação aprendi a dirigir na marra, motivada pela raiva, pelo nervoso, pelo desafio, justamente para provar-lhe que eu era sim muito capaz de dominar aquela máquina, mas ficou o trauma, nunca mais dirigi o fusca com meu pai sentado ao meu lado, acho que se o fiz foi uma única vez, suando frio e morrendo de medo de errar as marchas e fazer tudo errado na presença dele, foi daí que concluí que volante e medo são duas coisas que não combinam e que te levam fatalmente ao erro.

Dirigir é muito simples, você senta enfrente ao volante, pega a chave liga o carro mas não sem antes verificar se está no ponto morto do contrário você vai assustar com o solavanco, pois bem, você tem três pedais, com a perna direita você acelera e freia e com a perna esquerda você pisa fundo na embreagem para que com a mão direita você posicione as marchas, daí você vai soltando o pé esquerdo muito lentamente, lembrando que primeira marcha é só para dar a partida ou seja, fazer o carro sair do lugar, em seguida, pisa novamente no desembreio e engata a segunda marcha até que de marcha em marcha o carro saia desembestado com você aflito tentando manter o auto controle, seu e do auto, fora isso mire-se à frente, e mantenha-se atento aos retrovisores que se somam três ao todo, dois nas laterais externas e um dentro do carro, ah ! e não podemos esquecer de um aviso muito importante, temos que dirigir pela gente e também pelos outros, viu como é simples ?! simples e fácil como se equilibrar numa bicicleta de uma única roda com pratos rodopiando no queixo e na testa enquanto as mãos balançam quatro ou cinco laranjas num malabarismo exato sem erros, caso contrário babau.

Mas como tudo na vida requer prática e um tanto de habilidade ir á feira ou á farmácia perto de casa era moleza, difícil foi quando num domingo resolvi visitar minha irmã há vinte quilômetros de distância tendo que enfrentar a tão temida avenida Radial Leste.

Ainda bastante inexperiente combinamos que meu pai iria com seu carro à minha frente me informando que horas deveria trocar as marchas gesticulando com os dedos, bem se o trajeto até a casa da minha irmã demorava cerca de quarenta minutos aquele dia levou pelo menos duas horas.

Sempre atenta ao carro da frente e indiferente aos xingamentos que passavam em alta velocidade eu já não raciocinava mais nada meu foco era os dedos de meu pai : um dedo - primeira marcha, dois dedos - segunda marcha, três dedos- terceira marcha e.... quarto dedo - nem pensar !!!

O que deveria fazer automaticamente meu cérebro não decodificava tamanho pavor, o nervosismo foi tomando conta, suava frio e o coração parecia saltar pela boca.

Fiquei com dó de meu pai se ver naquela situação justo ele um Ás do Volante, mas foi a primeira e última vez, depois disso tive que me virar sozinha.

Bem fato é que aos trancos e barrancos aprendi a dirigir, bem, eu "acho" que aprendi em compensação os palavrões que ouvi decorei-os todos.

Fiquei mais de dez anos só dirigindo o Fusca e na minha cabeça não sabia dirigir outro carro, então todos os dias de manhã eu vestia o Fusca Branco para ir trabalhar e com isto acumulei muitas aventuras compartilhadas com meus filhos e alguns amigos de carona, muito corajosos por sinal.

Como esta história já se estendeu, as aventuras eu deixo para contá-las outra hora, teve de tudo de atropelamento a briga de trânsito, mas isto ficará para a próxima.

Até lá!

*Só pra registrar olha eu aí com meu companheiro inseparável...
E aí ?! Aceita uma carona ?!!!






quinta-feira, 2 de julho de 2020

"Cotidiano"

Já parou pra pensar que quando queremos nos aproximar de alguém com a intenção de se jogar conversa fora começamos sempre fazendo observações sobre o tempo ? daí, avaliamos a reciprocidade, se a pessoa sorri e lhe dá um feedback a conversa flui, se não, nos recolhemos na nossa insignificância e muito sem graça encerramos o assunto com um "é" ou então um "pois é".

Ainda bem que a ventania foi embora, dizem que se deslocou para o oceano, isto depois de ter causado grandes estragos nas cidades do sul. Aqui no sudeste ficou apenas o tempo frio, dizem que no decorrer do dia vai esquentar, será ?! Sol de inverno é um problema, esquenta sem querer esquentar, porque na maioria das vezes o vento gelado que sopra não deixa o coitado do sol fazer a parte que lhe cabe, eu mesmo fico caçando sol pela casa, ora aqui ora acolá...

Fiquei pensando que os dias não são iguais, iguais e previsíveis somos nós, prova disto são os nossos cachorrinhos que nos observam o tempo todo, eles sabem exatamente para onde vamos e o que vamos fazer antes mesmo de começarmos, eles não sabem falar mas sabem pedir, pedem com o olhar, com os choramingos, com o rabinho abanando, devo concluir que mais do que inteligentes eles são bons observadores.

Todos os dias temos rituais que se repetem, não é bem uma rotina é uma mania, um vício, como fumar um cigarro quando degustamos uma xícara de café feito na hora, ou aquele docinho que procuramos obstinados após o almoço.

Hoje logo cedo fiz este reparo ao procurar insistentemente a "minha" xícara de café, há inúmeras xícaras no armário mas não me satisfaço com nenhuma delas, tem que ser "a minha", marronzinha por fora creme por dentro, depois disso fiquei prestando atenção em todos os meus movimentos, me senti um robô daqueles que ligam o start, feito a música do Chico - Cotidiano - "...todo dia ela faz tudo sempre igual..." E não é que é !

Então.....(pausa, silêncio...)

Visto que estou sem feedback sem saber se a prosa está lhe agradando dou por encerrada minhas explanações.

 Pois é !








quarta-feira, 1 de julho de 2020

"Vento Ventania"

Como está o seu dia hoje ?

Aqui na minha cidade está ventando muito há dois dias. E não é ventinho pouco não, é ventania das brabas, daquelas que uivam as frestas das portas e janelas, me faz lembrar de um livro que li há vinte anos atrás o "Morro dos Ventos Uivantes"- Émily Brontë, todos os personagens do livro morreram na flor da idade, lembro bem disso porque me chamou a atenção, a pessoa com 25 anos de idade já era considerada vivida e, pasmem, chegar aos 50 anos naquela época era surpreendente. É um romance bem bonito, nem sei se virou filme, e nem quero saber pois os cineastas tem mania de achar que vão transformar livro em obra prima da sétima arte o que geralmente não acontece.

Estou á procura do livro "As Pontes de Madison" de Robert James Waller, que não conhecia mas fiquei instigada a conhecer através de um Post no Facebook e, enquanto não consigo o livro vou lendo outras coisas. Terminei o livro de crônicas do Fernando Sabino mas já emendei com outro dele próprio. Gosto de crônicas, são sempre leves, e enquanto não consigo obter o livro que quero ler vou me distraindo com elas.

Quando vi o Post na Internet falando deste filme "As Pontes de Madison" logo me interessei pelo enredo e tentei procurá-lo para assistir mas não deu, só depois que fiquei sabendo que a história era embasada no livro, aí sim me aguçou ainda mais a curiosidade, vou lê-lo com certeza, "há males que vem para o bem", será certo ?!

Penso que o dia hoje não será muito diferente de ontem o que me causa certa angústia, aí penso no que já disse antes :"Os dias seguem plácidos sempre dispostos a acolher nosso estado de espírito", o meu está assim...meio á meio, meio triste, meio só, meio pensativa, meio dolorida...meio tudo... esta ventania vai ter que ter bastante paciência comigo.

".....vento, vento, vento...
eleva meus pensamentos...
sopra pra longe a tormenta...
afugenta a minha dor...
leve ligeira as nuvens...
deixe apenas o céu azul...."