quinta-feira, 14 de maio de 2020

"Algo Estranho"

Oi,

está acontecendo algo estranho que não sei explicar (até aí nenhuma novidade).

Há dois dias estou tentando escrever e não estou sabendo dizer, digo me expressar.

Estou preocupada com os meus erros gramaticais.

Fiquei explanando sobre Técnica versus Jeito e não cheguei a lugar algum.

É sempre assim quando pretendo ser quem não sou.

Parece bobo mas isto é muito sério.

Tudo porque estava me julgando melhor do que quando comecei há dois anos atrás.

Talvez o exercício quase que diário tenha me ajudado um pouco, mas isto não basta para me tornar melhor, fato é que estou á quilômetros de distância em me tornar uma escritora pelo menos razoável.

Também "ser escritora" nunca foi meu objetivo mas seria tão legal se eu conseguisse me expressar de forma clara, coesa, correta sem abandonar esta sensibilidade que me aflora mas não adianta nada escrever bonito se não me reconheço no meu próprio texto.

Cada pessoa tem um jeito para escrever e eu tenho o meu, o que me falta é a técnica pra juntar ambos e sair uma coisa legal, talvez isto nunca seja possível, pelo menos não pra mim.

Estou querendo me esforçar... mas sei lá... tenho tanto medo... agora mesmo não parece que estou escrevendo para alguém ?! 

As vezes acredito que sim, o "Oi" lá em cima me denuncia, e percebendo isto me sinto tola e quer saber não quero mais me preocupar com estas bobagens, se está correto, claro ou coeso, o que eu preciso mesmo é colocar pra fora tudo que me aflige esses sentimentos todos que transcendem  e que vão muito além de mim.

Acontece que não me basto preciso de alguém que me leia, difícil admitir mas se você não me ouve qual o sentido ?!

Pra mim nenhum.



segunda-feira, 11 de maio de 2020

"Sensatez"

Oh, lá lá lá ! Mais uma semana de isolamento, tá bom pra você ?!

Boa pergunta, pra quem será que está bom ?!

Acredito que as pessoas nunca mais reclamarão dos seus empregos, talvez a falta deles e passarão a se conformar com a aposentadoria aos setenta, isto se sobreviverem até lá.

Enquanto isto vou improvisando, inventando coisas, nada de ficar ociosa, é preciso ocupar o corpo e a mente.

Estou revisando os primeiros textos deste blog. Reparei que mudei muito o meu jeito de escrever e percebi que precisava adequar melhor as palavras para que elas fizessem mais sentido, mas não mudei a essência. Com esta revisão voltarei a publicá-los obedecendo a mesma sequência da ocasião que os escrevi.

Ontem foi domingo dia das mães e não estive com os meus filhos, estamos obedecendo o isolamento à risca. Um me ligou pela manhã me desejando bom dia, o outro fiquei esperando o dia todo e só me ligou a noite dizendo que dia das mães são todos os dias, e eu nem me surpreendo porque somos tão parecidos, conheço-os bem e ambos são bons filhos, amo-os incondicionalmente, me liguem de manhã de tarde ou de noite.

Para minha mãe fiz diferente, nos primeiros minutos do domingo mandei-lhe uma mensagem junto com o vídeo que gravei, foi a maneira que encontrei de deixar a data um pouco menos triste para  nós. Ela se emocionou e me agradeceu e eu me emocionei e também lhe agradeci, coisas de mãe e filha que não se vêem há um bom tempo.

Mais tarde desejei postar o vídeo numa rede social mas antes que o fizesse minha lucidez baixou o meu ego trazendo-me de volta a razão. Pra quê ? Por quê ? Qual o sentido ? Talvez minha intensão fosse apenas me aparecer e de verdade não preciso disso.

Algumas vezes sou sensata e ajo de acordo com a idade que tenho mas não me animo porque são só "algumas vezes".








sábado, 9 de maio de 2020

"Eu Diversifico e Tu, Diversificas ?"

Decididamente não sei o que acontece com este povo, bem dizia a minha mãe que quanto mais a gente espreme mais sai por entre os dedos, estou falando das medidas protetivas para evitar aglomerações. Não era pra todo mundo estar em casa ?

 Não estão, ao contrário, está cheio de gente nas ruas, até trânsito parado em pleno sábado, mercados lotados, gente comprando aos montes até parece que vai ter festa.

 Peraí ?! Vai ter festa ?! Festa pode ?!!

 Não, não pode ou pelo menos não deveria poder se todos fossem conscientes e colaborassem, o que não é o caso.

Não tenho acompanhado mais os noticiários, aqueles números não estavam me fazendo bem, sei que tem gente morrendo a beça, sei que a política tá podre, que tem artistas, meio artistas, não artistas fazendo lives, que a economia do nosso país está prestes a cair no abismo, enfim o futuro está feito pedra limosa, acha mesmo que isto vai prestar ?

 Duvideodó.

Ando meio enjoada de tudo, também não é pra menos, são dois meses procurando o que fazer, comecei com a tal da grama amendoim que se alastrou pelo jardim, pensei, ótimo, farei um metro quadrado por dia e quer saber ? O jardim nem era tão grande assim, já me desfiz da grama há bastante tempo agora estou naquela fase de que brotou um verdinho eu vou com a enxadinha e pá ! Não vai nascer não dona grama, virei a tirana do jardim, só nasce agora o que eu quiser.

Depois me pus a cozinhar, baixou o caboclo cozinhadô, e dá-lhe massa de coxinha enrola coxinha, e dá-lhe massa de rissole e faz rissole de carne, queijo, quibe.... o freezer está tão lotado que  quando acabar o isolamento farei uma festa com estas bobagens, se fosse comer todos estes salgados estaria frita, outro dia me encorajei a subir na balança, toda nua claro, nem meia nem calcinha do jeitinho que vim ao mundo, respirei fundo subi, olhei pra baixo e cadê ? tudo turvo, estava sem óculos também, desci rapidamente e peguei a balança pra ver de perto antes que os númerozinhos se apagassem, ufa ! nem uma grama a mais nem uma grama a menos, mas sempre com aqueles dois quilos a mais que me proponho a perder.

A casa é outro problema... todo dia ela faz tudo sempre igual (música)... pois é, eta servicinho nojento, a gente faz, faz, faz e sempre tem coisa pra se fazer e quando finaliza o último cômodo aquele primeiro tá clamando arrumação novamente, serviço de dona de casa é como enxugar gelo, a gente não vence.

Ainda procurando me ocupar parti para as minhas habilidades manuais, fui exercitar o curso de corte e costura de quinhentos anos atrás e pega pano e corta pano e costura pano e estraga pano, que raiva, daí pra não me aborrecer nem me exigir demais resolvi fazer apenas o básico, bainhas, botões, pequenos consertos e nada mais, chega, deu.

Outra opção para me ocupar seria ginástica ou um pouquinho de fisioterapia já que a minha perna vai de mal a pior, mas cara não dá, não consigo, não sei se é dor ou preguiça ou seja qual for a desculpa, mas exercício físico tô fora, outro dia resolvi caminhar pela casa, fiquei dando voltas com passos acelerados parecia uma barata tonta e quer saber a minha perna não está ajudando nem um pouco, todo o meu progresso com a musculação e a hidroginástica caiu por terra, quando voltar terei que começar da estaca menos zero.

Mas temos que pensar positivo né ?! Vamos cantar.

Passo boa parte do meu tempo procurando Karaokê no computador, aí fico treinando, pareço um disco quebrado, outro dia saindo de casa encontrei com o vizinho no portão e ele me veio com esta "dona Silvia gosta de cantar " fiquei sem graça e pensei, tô incomodando os vizinhos, mas aí ele completou "a senhora canta bem", sorri aliviada, ufa ! ainda bem, não preciso me preocupar se estou perturbando a paz alheia porque mesmo se estivesse não teria intensão de parar, e de quebra ainda ganhei meu primeiro fã, só que tem uma hora que cansa, enjoa sei lá !

 Preciso diversificar !

Diversifico aqui, sim, aqui, onde gosto de estar, escrevendo no blog, contando histórias, eu e minhas bobagens, as minhas bobagens e eu, mais alguém ?! Ei ! mais alguém por aí ?! Não né, só o eco da minha voz.
Fica triste ? Pergunto pra mim mesmo e eu mesmo respondo, fico, fico muito triste, porque eu queria muito que ..... ah deixa pra lá !

Não sei mais onde diversificar.


*Socorro, vou surtar !





quinta-feira, 7 de maio de 2020

"Tem que Vacinar ?!!!"

Ai ai ai ai ai

Sabe como é...

"Não sei se eu vou não sei se eu fico,
Se eu fico aqui ou fico lá
Se eu vou lá tenho que ir
Se eu fico aqui tenho que voltar..."(música)

Há dias protelando até que me deu "os cinco minutos"...partiu Posto de Saúde.

Desde o dia seis de abril com esta dúvida cruel, foi quando deram a bandeira de largada e pisei fundo nos sessenta, agora oficialmente começo a fazer parte do grupo de risco. "Vai que é tua Taffarel !!!!" (que merda).

Precisava tomar logo a droga da vacina mas tive contratempos que vieram bem a calhar, tosse seca, insônia e todo tipo de medo... soube de algumas pessoas que ao tomarem a vacina pela primeira vez tiveram gripe, aí já viu, medo em dobro porque a última coisa que pretendo no momento é adoecer seja lá do que for. Aí fiquei enrolando, enrolando, enrolando... até que não deu mais.

Cheguei no Posto de Saúde que estava vazio e mesmo de máscara tentei ser simpática com as enfermeiras mas não houve reciprocidade, senhoras sem graça, cara fechada sem um mínimo de trato, perguntei se poderia ter gripe depois da vacina e a resposta foi a seguinte :"se ficar gripada tome remédio e se for covid-19 toma remédio também, frisando, em casa!!!", resumindo, se você ficar doente foda-se, se vira sozinho e não venha nos encher saco. Caramba, por que tanto amargor ?!

Obrigada, lindo dia pra senhoras também !

Somente em casa fui perceber que nem ao menos aquele esparadrapozinho colocaram no meu braço, fiquei procurando marcas da injeção e nada, puxa vida ! uma atenção, um carinho, um sorriso, qualquer coisa, faltou, fiquei com mais raiva ainda das mal amadas, pensei que deveria ter-lhes dito que mal humor envelhece, mas não sabemos o que se passa na vida das pessoas não é mesmo ? Acho que fiz bem em não falar.

Os Postos de Saúde estão ás moscas, pelo menos este perto de casa está, vi apenas profissionais tomando sol no banco do jardim, me deu a impressão de estar ali tomando o tempo delas, ah, sei lá, não sei o que pensar, já foi, já passou, vamos aguardar.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

"Fogão de Lenha"

Se eu me espichar mais um pouquinho consigo pegar este restinho de sol que nesta época do ano nos foge tão rapidamente.

Estiquei o casaco no chão feito uma toalha e em cima dele me deitei, aproveitei a sombra do banco para proteger o rosto do sol quente.

Fiquei ali olhando pro céu azul e para as nuvens que passavam com velocidade.

Fechei os olhos e fiquei ouvindo o uivar do vento. Percebi que o tempo iria mudar porque o assobio do vento era mesmo muito forte, tinha que aproveitar o sol de qualquer jeito.

É uma sensação tão boa... a quentura do sol no corpo, a sombra no rosto, o barulho do vento, o silêncio da manhã, abri o olho de leve e vi o passarinho em cima do banco me observando com os olhinhos bem atentos, ele sabe que não sou um predador, por isso ele não tem medo, curiosidade, talvez, esgueirando o olho mais pra baixo vejo o Little Boy que se aboletou ao meu lado e também aproveita o sol com a barriguinha pra cima, esta tão relaxado que chega a roncar.

Penso... porque é da minha natureza pensar, o livro da Ruth Oseki esta do meu lado, pego-o para ler, com os braços esticados mantenho o livro a uma certa distância e leio alguns capítulos, até o braço cansar, paro um pouco e continuo a pensar e a sentir o sol, o vento, o Little Boy que continua feito estátua encostado em mim, parece morto mas seu ronco prova que está bem vivo.

No dia anterior estive no computador passando tempo foi quando me veio a ideia de cantar uma canção em homenagem ao dia das mães que será a semana que vem. Achei o Karaokê da música "Fogão de Lenha" do Chitãozinho e Xororó e treinei umas duas vezes antes de me preparar para grava-la. A música é sertaneja, tem uma melodia bonita e uma letra simples pra ser cantada, mas sabe como é, as vezes me emociono facilmente, há meses não vejo minha mãe de perto, apenas de longe, da sacada de seu apartamento conseguimos nos ver, ela lá e eu cá, no jardim de casa, mas não é a mesma coisa quando se pode tocar, abraçar, beijar.... me deu um nó na garganta, acho que os nossos melhores feitos se dão neste grau de sensibilidade e mesmo com a voz embargada e os olhos marejados apertei o play no celular e comecei a gravar a mensagem seguida da música, e deu tão certo, a imperfeição deixou tudo tão sincero e autêntico que depois ao ouvir-me a autocrítica deu vasão pra emoção, não quero arrumar muito menos refazer .... pode ?! Pode. Semana que vem farei a mensagem chegar até ela.

É tão bom ter mãe. Penso que são pouquíssimas pessoas que tem este privilégio.
Fiquei me perguntando : Quantas pessoas da minha idade ainda tem mãe ? Quantas pessoas da minha idade tem uma mãe saudável ? Quantas pessoas da minha idade tem uma mãe que mora sozinha e se cuida sozinha e sabe se virar tão bem ?

Minha mãe é uma mulher sábia e de uma bondade infinita. A sua sapiência não vem das grandes faculdades, minha mãe estudou até a quarta série primária e mesmo assim é sábia e inteligente, gosta de ler de conversar interagir, ela tem sempre algo bom para dizer. Penso que não puxei a minha mãe, a faculdade pode ter me ajudado um pouco mas no quesito bondade estou á quilômetros de distância.
Minha mãe é um exemplo de mulher linda e forte, não é á toa que gostaria muito de ser como ela, mas cada um é cada um não é mesmo ? O importante é a gente se aceitar.

O sol sai do chão e caminha para a parede, já não há mais sol onde me encontro, Little boy também já se mandou, devo me levantar e procurar o que fazer, e há muito o que fazer, só preciso achar a vontade. Vontade cadê você ?!

Fogão de Lenha

Espera minha mãe estou voltando
Que falta faz pra mim um beijo seu
O orvalho das manhãs cobrindo as flores
Um raio de luar que era tão meu

O sonho de grandeza, ó mãe querida
Um dia separou vocês e eu
Queria tanto ser alguém na vida
E apenas sou mais um que se perdeu

Pegue a viola e a sanfona que eu tocava
Deixe um bule de café em cima do fogão
Fogão de lenha e uma rede na varanda
Arrume tudo mãe querida o seu filho vai voltar

Mãe eu lembro tanto a nossa casa
As coisas que falou quando eu saí
Lembro do meu pai que ficou triste
E nunca mais cantou depois que eu parti

* Pegue a viola.....

Espera minha mãe estou voltando.

Compositores : Durval de Lima / N Carlos Colla / Maurício Barroso Netto Duboc


domingo, 3 de maio de 2020

"Tempos de Quarentena"

Perdi a conta de quantas semanas já se passaram, sei que foram várias.

Quarentena veloz... parece que sábado passado foi ontem, parece que todos os dias são sábados, todos os sábados feriados...

 Nivelamos o nosso cotidiano alternando nosso marasmo entre lives, receitas, noticiários e o famoso "Faça você mesmo".

Está tudo igual há dias e mesmo assim o tempo não pára. O tempo urge e ruge feito um leão feroz pronto pra nos engolir....

Como medimos a velocidade desse tempo que  para alguns passa tão rápido e para outros tão lento ?

 A velocidade do meu tempo é feroz, impiedosa e urgente... o leão me engole de um gole só.

Tento aquietar-me, respiro fundo, amanso meu coração regando o jardim mexendo nas plantas, estas sim sabem o tempo certo de maturar, acho que este é o único momento que o tempo me dá uma trégua.

Minha mente é mais difícil de domar, sempre voluntariosa e rebelde pensa no que quer mesmo me recusando a pensar.

Sua imagem me vem e toda impossibilidade me habita. (##)

Envelheço a cada dia... não há chance de retroceder nem por bem nem por mal.

Aceitemos o nosso tempo com  resignação e paciência pois este é o tempo que temos, não importa se lento ou ligeiro, distenso ou despavorido, todo dia é um novo dia por mais semelhante que seja.

Quem diria que viveríamos tempos de quarentena, não é ?!




sábado, 2 de maio de 2020

"Anne with an E"

Perdida no vazio de tão grande que ele é.

Terminei de ver a série.

Não sou fanática por séries, nem por filmes, assisto-os de vez em quando, quando me atraem, não que eu ache perda de tempo assisti-los, não é isso, mas não consigo me vincular em uma única atividade, meu cérebro precisa ser estimulado de várias maneiras diferentes.

Amei assistir a série.

Não foi longa, foi do tamanho certo pra se contar uma história, e ao meu ver desnecessário dar continuidade como muitos clamam.

Prefiro ficar com a minha imaginação de como tudo ainda transcorreu...

Mesmo assim fiquei triste pelo fim, assim como quando termino de ler um livro... é uma sensação de despedida, e as despedidas são sempre tão dolorosas.

Ando no meu período de "ostra", sem muito o que dizer.

Então, não diz.

*(emudeço).