sábado, 15 de janeiro de 2022

A História da Família "Coelho" - Parte X

 A  casa em que tio Salvador morava com a família situada na rua da Meação era composta por várias casinhas geminadas que abrigavam outras tantas famílias. Na sua fachada havia uma espécie de portal em forma de arco, de onde se avistava a rua Ana Camacho, antiga rua Caetanos. Mesmo com poucos cômodos tio Salvador abrigou a família da irmã até que estes tivessem condições de se mudarem.

Naquela época poucas ruas eram asfaltadas, os terrenos eram, muitas vezes, divididos com cercas de madeira, lembravam pequenas chácaras com suas hortas e árvores frutíferas.

 Os meus bisavós maternos, dona Emília e seu Manuel Massorano eram proprietários de uma quadra que ocupava duas ruas : a Rua Batista da Costa até a Rua Ana Camacho, neste terreno foram construídas, com muito esforço, suas casas de alvenaria  e outras pequenas moradias para futuros inquilinos. 

E foi numa dessas casinhas de aluguel que Zé Coelho se instalou com a família, tudo muito rústico e precário; do porão se fez o quarto, do lado de fora o banheiro e embaixo da escada uma minúscula cozinha.

Os meninos, Zequinha com quatorze anos de idade e Virgílio com doze anos começaram a trabalhar numa fábrica de fiação, emprego arranjado por tio Salvador, já dona Felicidade fez da costura sua profissão, enquanto isso Zé Coelho se ocupava com a política, trabalhando esporadicamente como cabo eleitoral em ano de eleições.

 Algumas fotos antigas, extraídas da Internet, que remontam o cenário da época :

Fachada do Antigo Cine Vitória - Água Rasa

Rua de paralelepípedo travessa da Av. Álvaro Ramos - Água Rasa

Vila Formosa começo do século XX

Rua de Paralelepípedo Água Rasa

Fachada, ainda existente, do Castelinho na rua Água Rasa

Entrada, acesso pela Av. Álvaro Ramos, do Cemitério da Quarta Parada

Ônibus Antigo sentido "Cidade" como era chamado o Centro de São Paulo



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sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

A História da Família "Coelho" - Parte IX

 O nome completo de tio Salvador era : Salvador Pereira da Silva, seu ano de nascimento foi em 1.906 e seu falecimento ocorreu no ano de 1.975. A diferença de idade entre ele e sua irmã Felicidade era de aproximadamente dez anos, então concluo que, se a mãe deles faleceu quando Daia tinha apenas nove anos, Salvador teria pelo menos dezenove quando saiu de casa para o mundo.

O rumo que Salvador tomou foi o estado de São Paulo e foi trabalhando numa fazenda do interior chamada Santa Rita, que conheceu a imigrante italiana Lina Moran, que mais tarde adquiriu o sobrenome do marido, Lina Moran da Silva.

Antigamente quando os enamorados não recebiam o consentimento da família para se casarem era comum que fugissem, estratégia que muitos usavam para contrair matrimônio mesmo que este ficasse acordado em uma delegacia por exigência dos pais da noiva, e foi justamente isto que aconteceu com tio Salvador e tia Lina, depois dele próprio ter "roubado" sua pretendente.

Casados, tio Salvador e tia Lina tiveram quatro filhos : José Aparecido, falecido aos 12 anos de idade de apendicite, conhecida na época como "nó nas tripas", e os que vingaram, Eunice, Maria e Benedito.  Nesta época já haviam se mudado para a cidade de São Paulo, a princípio foram morar em uma casinha alugada em Ermelindo Matarazzo, depois se mudaram para a Rua da Meação, antiga Vila Regente Feijó, hoje Bairro do Tatuapé e com o passar dos anos compraram e viveram por toda vida em uma casa situada na Vila Formosa.

Foi justamente na época em que residiam na Rua da Meação que a família do tio Salvador acolheu a Família de Zé Coelho, constituída por Daia, os filhos pequenos Zequinha e Virgílio.


Primeira Comunhão década de 40
Prima Eunice






















Família do Tio Salvador década de 40












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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

"Agradecimento a Prima Eunice"

 Ontem a noite o telefone fixo tocou, tão raro ouvi-lo tocar ainda mais naquele horário, era Eunice, prima de meu pai atendendo meu apelo na mensagem que lhe enviei pelo messanger do Facebook.

Fiquei feliz e empolgada com sua ligação.

Eunice é a filha mais velha do tio Salvador (irmão de minha vó Felicidade) com tia Lina; ela é um pouco mais velha que minha mãe, me disse ontem ter 83 anos.

Lembro da prima Eunice de alguns anos atrás, quando era mais jovem e pelo vigor de sua voz relembrei dela com a mesma aparência, conversamos cerca de uma hora, foi uma conversa descontraída e super agradável, conversamos um pouco de tudo, segundo ela, seu pai Salvador, era homem de poucas palavras e muito bravo, o que me surpreendeu pois a imagem que sempre tive dele era de um homem bondoso extremamente amigável que chegava em nossa casa sempre com um saquinho de balas para nos agradar.

Ela confessou que este comportamento devia ser pelo grande afeto que sentia por meus pais e por nós, os filhos, visto que representávamos o único elo de sua família.

Outras informações também me foram passadas, não muitas mas o suficiente para continuar escrevendo sobre a "História da Família Coelho".

Por isso deixo registrado aqui o meu profundo agradecimento a Prima Eunice que se preocupou em atender ao meu apelo.

Eunice, obrigada por sua colaboração.

                                                              Silvia. 13/01/2022




quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

A História da Família "Coelho" - Parte VIII

A História da Mina de Cristal e a Vinda da Família Coelho para São Paulo


 Esta fase que narrarei a seguir  se compõe de fatos imprecisos porém não menos verdadeiros.


Instalados em Conselheiro Mata - Distrito de Diamantina MG, Zé Coelho continuou no garimpo com a ajuda do filho João, mas não por muito tempo pois na idade de servir o exército brasileiro o jovem rapaz retornou a Belo Horizonte para fazer o seu alistamento e cumprir com serviço militar obrigatório.

Zequinha e Virgílio ainda pequenos permaneceram ao lado da mãe e foram alfabetizados no Grupo Escolar da pequena cidade, contudo não há registros que tenham concluído o Curso Primário.

Dona Felicidade por sua vez manteve a família com o ofício de costureira. Na época costurava "Batinas" para os padres, vestidos de noiva, ternos para casamentos e vestimentas mais simples em geral.

Também foi nesta ocasião que Zé Coelho perdeu a chance de melhorar a situação financeira de toda família. As voltas com o garimpo descobriu sozinho uma mina de cristal mas, a euforia do achado foi tão grande que, a caminho de casa em uma de suas paragens bebeu um pouco demais e falou o que não devia.

A notícia do achado se espalhou feito pavio de pólvora, quando retornou a mina de cristal o local já havia sido tomado pela exploração desenfreada de muitos garimpeiros.

Em meio a todos estes acontecimentos dona Felicidade fica sabendo do paradeiro de seu irmão, há possibilidades deles terem se comunicado através de uma carta onde Salvador dizia estar casado com três filhos e vivendo na cidade de São Paulo - SP.

Desiludido com o Garimpo e incentivado por Salvador, Zé Coelho, dona Felicidade e os dois filhos Zequinha e Virgílio se mudam para São Paulo em busca de oportunidades e melhores condições de vida.



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terça-feira, 11 de janeiro de 2022

A História da Família "Coelho" - Parte VII

 Ocasião em que Daia (vó Felicidade) é apresentada a Família de Zé Coelho- Belo Horizonte- MG


Tanto Zequinha quanto Virgílio (meu pai) foram registrados no Cartório Civil do Distrito de Conselheiro Mata, região localizada a 30 km de Diamantina - Minas Gerais.

Quando os meninos já estavam relativamente grandinhos Zé Coelho resolveu voltar a Belo Horizonte pois havia notícias que Sá Donana, sua mãe, estava muito doente.

Este retorno proporcionou a dona Felicidade e seus filhos conhecerem seus sogros e os filhos adolescentes do primeiro casamento de Zé Coelho com a falecida Balduína.

Infelizmente não há registros desse encontro.

Sá Donana veio a falecer na ocasião em que lá estavam e Zé Coelho fez questão de pagar as custas do enterro da mãe disponibilizando o único dinheiro que possuíam, proveniente de umas poucas gramas de ouro que havia negociado antes da viagem.

Era importante pra ele sentir-se por cima, mesmo se endividando e não tendo condições financeiras suficientes para fazê-lo. Quando o dinheiro acabou a família resolveu voltar para Conselheiro Mata e continuar no garimpo só que desta vez Zé Coelho levou consigo os dois filhos adolescentes, João e Manuel, afim de que ambos lhe ajudassem a garimpar; a filha mais velha Antalha se negou a acompanhar o pai preferindo manter-se em Belo Horizonte aos cuidados das tias.

Dona Felicidade fez o que pôde para acolher bem os meninos mas os conflitos familiares estavam presentes principalmente na animosidade entre pai e filhos.

Certo dia Zé Coelho implicou com a aparência de Manuel, o filho mais rebelde, obrigando-o a se barbear este, por sua vez, enfrentou a autoridade do pai e depois de uma séria e calorosa discussão Manuel decidiu sair de casa. Abandonou a família, caiu no mundo e ninguém, nunca mais, teve notícias dele.


Eis alguns registros que datam a época dos fatos :


Seu Virgílio Coelho (avô) segurando Antalha, a menina loira, João ao centro e no canto esquerdo da foto o caçula Manuel, os três filhos do casamento de Zé Coelho com Balduína.








Os Irmãos : à esquerda João Coelho (tio João), ao centro meu pai, Virgílio Coelho Neto e José Oliveira Coelho Júnior (tio Zequinha), à direita.













Dona Felicidade (Daia), primeira em pé á direita.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

A História da Família "Coelho" - Parte VI

 A Vida de Casada da Jovem Daia (Vó Felicidade)


Logo após o casamento Zé Coelho montou em seu (novo) cavalo levando a jovem Daia na sua garupa, esta por sua vez carregava consigo apenas o que lhe cabia, uma trouxa de roupas e alguns pertences. Ambos se embrenharam mata adentro até chegarem na cabana construída por Zé.  A cabana era precária, próxima do garimpo, rodeada de árvores em um terreno de mato alto, mal se podia ver o sol. Imagino como tenha sido difícil pra minha vó aqueles primeiros dias encarando tão dura realidade.

Pela manhã antes de sair para garimpar Zé Coelho entregou a Daia uma garrucha velha munida apenas de um tiro com a seguinte recomendação : "Se mexer atire, seja homem, seja bicho, atire !".

Enquanto Zé Coelho se ausentava dona Felicidade usava seu tempo para limpar o terreno com um facão afim de que pudesse ver e aproveitar a luz do sol para colocar ordem na "casa".

Nesses primeiros anos em que viveram neste lugar, não sei precisar se dona Felicidade já exercia o ofício de costureira, profissão que a manteve até o final de sua vida, eu, particularmente, acredito que não, dado o isolamento em que se encontravam, talvez, a costura como profissão, tenha vindo anos mais tarde quando se instalaram na cidade.

Dessa fase tenho conhecimento apenas a data de nascimento dos seus dois filhos.

Em 1.934 nasceu o primogênito, José Oliveira Coelho Júnior (homenagem ao pai Zé Coelho) e com dois anos de diferença em 1.936 nasceu o segundo filho, Virgílio Coelho Neto, nome dado em homenagem ao seu avô paterno, seu Virgílio Coelho.

Do nascimento do primogênito, tio Zequinha, como o conhecíamos, não tenho registros mas, quanto ao nascimento de meu pai algumas histórias pitorescas nos foram confidenciadas por minha vó Felicidade.

História sobre o Nascimento de meu pai : Virgílio Coelho Neto.

Dizia ela que às primeiras contrações anunciando que o bebê estaria por vir, pediu ao marido Zé Coelho que fosse a cidade buscar uma parteira, este por sua vez, a caminho da missão, acabou se distraindo na caça por um tatu. Horas mais tarde voltou a cabana com a parteira e o tatu abatido em uma sacola. Dona Felicidade já havia dado a luz, ela própria cuidou de fazer seu parto preparando os apetrechos que iria precisar, inclusive uma tesoura velha para cortar o cordão umbilical. Coube a parteira apenas verificar se tudo havia sido feito do modo correto. Enquanto isto Zé Coelho extraia do tatu o seu sangue e com ele besuntou a criança envolvendo-a em panos que foram retirados somente no dia seguinte. Para surpresa de todos o sangue havia penetrado na pele do bebê. Este fato curioso fortaleceu a pele de meu pai e por muitas vezes o presenciei batendo forte no braço e dizendo orgulhoso : "Aqui não pego doença alguma, tenho sangue de tatu !" E realmente, meu pai era forte como um touro.

Outro fato curioso diz respeito ao seu registro de nascimento. Como moravam distante da cidade, registrar uma criança demandava disponibilidade e algum tempo. Quando Zé Coelho foi registrar o filho não soube precisar a data, registrando-o no dia 6 de agosto do ano de 1.936 sendo que a data correta seria dia 8 de agosto do mesmo ano 1.936. A pedido de minha vó, minha mãe ficou incumbida de jamais esquecer a data verdadeira do seu nascimento, por isso todos os anos, nós, os filhos e minha mãe, o cumprimentava  tanto no dia 6 quanto no dia 8, o que alegrava muito meu pai.


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domingo, 9 de janeiro de 2022

A História da Família "Coelho" - Parte V

Cronologia dos Fatos e as Prováveis datas de nascimento dos meus Avós : Felicidade e Zé Coelho.

 A minha "suposta" lógica cronológica das idades e dos fatos :

Quando Zé Coelho conheceu e desposou dona Felicidade ele era um homem viúvo e maduro e ela uma jovem moça, se a diferença de idade entre eles era de 23 anos pré suponho que se Daia tinha 18 para 19 anos na ocasião, Zé Coelho teria pelo menos 41 anos quando a conheceu e se, de fato tivesse 41 a sua provável data de nascimento seria em torno de 1.893/94 e consequentemente Felicidade teria nascido em 1.915.

Para estas prováveis datas tomei como base a diferença de idade entre ambos e a data de nascimento de seus dois filhos, Zequinha 1.934 e Virgílio 1.936.

Com relação aos lugares onde estas histórias aconteceram não sei precisar ao certo, a referência que minha vó Felicidade deixou para minha mãe foi a cidade de Corinto, Conselheiro Mata e Diamantina por isso fui pesquisar a respeito.

Corinto era uma pequena cidade do município de Curvelo e passou de Distrito a Município em 1.923.

Depois disso várias leis com divisões territoriais estabeleceram como Distrito do Município de Corinto outras pequenas cidades. São elas : Distrito de Corinto, Andrequiçé, Contria, Santo Hipólito e Senhora da Glória (antigo N.S. da Glória), assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII- 1.960.

Acredito que talvez um desses pequenos distritos tenha sido o local onde Felicidade nasceu e posteriormente se casou.


*Felicidade Pereira de Carvalho nascimento : 09 de Março de 1.915

                                                   Falecimento : 01 de Dezembro de 1.967


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