sexta-feira, 1 de setembro de 2017

"Ilusão Perdida"

Escolher o corte de cabelo pela modelo da revista e desejar que fique igual é um pouco demais pra minha cabeça, acho que pra cabeça de qualquer uma.

 Por mais que você procure um corte de cabelo, cujas modelos sejam pessoas "normais", nunca, eu disse nunca, vai ficar igual, absolutamente improvável, nem por milagre.

Assim como escolher uma lingerie pelo catálogo e ter a ilusão que vai ficar tão sexy quanto... Não, não vai.
Não adianta minha filha... pelo correio só a lingerie... a bunda  "Não" vem junto.

Não venha me dizer que o profissional não soube cortar o seu cabelo ou que o modelo da lingerie é diferente do catálogo.

Não. Não é.

Cada um é do jeito que é.

E se conforme minha filha, se conforme.

Aceita. Doe menos....


terça-feira, 29 de agosto de 2017

"Releitura Urbana"

Vamos as histórias engraçadas:

Professor nunca leciona num lugar só, vivemos pulando de galho em galho até ter a sorte de se efetivar numa boa escola.
Era começo da década de 90 e havia sido remanejada para a minha escola dos sonhos: E.E. Profª "Blanca Zwicker Simões", escola onde estudei na minha adolescência.

Nossa escola por ser "Escola Padrão", tinha algumas regalias, além do nosso salário ser um pouco melhor, éramos privilegiados com uma grande quantidade de projetos educacionais oferecidos pela FDE - Fundação de Desenvolvimento Escolar.

Fiz a inscrição dos alunos no projeto de Artes, iríamos de ônibus fretado até a Av. Paulista para fazer uma Releitura Urbana da nossa cidade.
Estava toda empolgada, acompanhando os alunos com suas pranchetas, dando dicas e fazendo observações para que o trabalho se desenvolvesse da melhor forma possível, estava me sentindo o máximo.

Só não contava com aquela coceirinha insistente na cabeça, que coisa chata !!!
Temi pensando ser piolho, mas era impossível, há poucos dias havia feito permanente no meu cabelo e pra quem não sabe permanente era deixar o cabelo todo enroladinho, naquela época estava na moda, ficava com jeito "hippie", e segundo consta, nenhum piolho resistiria aquele cheiro da química, decididamente não era piolho, mas a coceira não passava de jeito nenhum.

O trabalho dos alunos foi um sucesso, no final, fizemos um grande painel para expor os desenhos da criançada.
Mas... a dita cuja coceira não passava, lavava a cabeça todos os dias, isso porque cabelo com permanente você só consegue penteá-lo molhado, depois que seca, não há pente que penteie, arma e fica horrível.

Já me encontrava em desespero, quando em casa, abri uma toalha branca no meu colo e comecei a pentear aquele cabelo "difícil". Foi quando levei um susto, os piolhos eram enormes, acho que estavam na quinta geração de tão grandes, precisava resolver aquela situação com urgência, mas como ? Comprar remédio e passar pente fino não iria resolver, tinha que tomar uma atitude mais drástica, cortar o cabelo.
Mas aí tinha outro problema, qual cabeleireiro em sã consciência iria cortar um cabelo naquele estado?

Não tive dúvidas, peguei a tesoura dei na mão do meu marido e pedi: "corta".
E assim, aquele cabelo comprido todo encaracolado lindo, mas cheio de piolhos, foi sumindo da minha cabeça até virar um nada. Sim, o cabelo ficou "joãozinho", cabelo de menino (sem piolhos).

Claro que na escola todo mundo estranhou, mas não iria passar atestado de piolhenta pra ninguém, quando me perguntavam o porque havia cortado os cabelos eu dizia : "Enjoei, cabelo curto tá na moda".... Quanta mentira !!! E pensar que levei os piolhos pra passear em plena Av. Paulista e ainda por cima me achando o máximo. Pode ?!!!




domingo, 27 de agosto de 2017

"Na nuvem"

Tem gente que acha chique andar de avião, eu particularmente acho deveras perigoso, mas entre fazer aquela viagem de ônibus que duraria no mínimo doze horas e outra de avião que não passariam de três, fiquei mesmo com a segunda opção.
Era a minha primeira experiência, mas não me vi ansiosa, estava determinada a embarcar, mesmo porque a situação era de urgência, eu e minha mãe precisávamos vê-la antes que fosse tarde.
Não entendo até hoje o que a motivou sair de São Paulo e parar num lugar daqueles, e olha que no momento, morando em Dourados MS, não se via de todo mal, pois já havia passado por lugares bem piores, acompanhando os devaneios do marido matuto, um autêntico "homem da roça".
Desembarcamos no aeroporto de Dourados, fomos recebidos pelo tio Clóvis, que nos ajudou com as malas, perguntamos por ela, disse que estava no carro a nossa espera.
Sua aparência dava dó, jamais poderia estar ali, ainda mais na situação que se encontrava.
Minha tia Elza era irmã de minha mãe, dez anos mais nova que ela e somente dez anos mais velha que eu.
Seu estado era gravíssimo, e mesmo com todos os sintomas e desconforto de uma doença terminal como o câncer, nos proporcionou uma boa estadia com muitas conversas e particularmente com uma noite pra lá de especial, uma noite que vai ficar pra sempre na minha memória, pois é assim que quero lembrar da minha tia, uma mulher destemida, guerreira, que mesmo numa situação tão adversa e tenebrosa, nos transmitia tanta energia positiva, mesmo sabendo que aqueles seriam seus últimos dias, pra mim uma lição de vida, tamanha lucidez.
Havíamos feito umas pizzas e tomávamos vinho, ela, coitadinha, mal digeria a pizza e com muita dificuldade bebericava uns goles do vinho, e a conversa corria solta, foi quando ela começou sua narrativa contando uma passagem de sua adolescência.
Ouvíamos a história descontraidamente, quando percebi que aquele momento tinha que ser registrado, liguei a câmera e sem que soubessem  comecei a filmar...
Lembrando agora de como tudo sucedeu, me bate uma alegria em relembrar que houve de fato esse momento especial e ao mesmo tempo a tristeza em saber que nunca mais a verei.
Ficaram as lembranças a saudade e o vídeo.
Não vou tentar contar a história da tia Elza adolescente com o vô Maçorano porque não saberia e também porque não teria a menor graça.
Queria mesmo era postar o vídeo, mas advinha ? Assim como o avião ele está na "nuvem".
Não me perguntem o que é nuvem no computador ou como o vídeo foi parar lá, não sei ao menos como tirá-lo da tal nuvem, com toda certeza vou precisar de ajuda, mas não desisto, breve vocês saberão dessa história contada com a graciosidade da saudosa tia Elza.
Só aguardar, tá ?!








quinta-feira, 17 de agosto de 2017

"A fé e o Acaso"

Era costume deixar as janelas abertas para o ar entrar, em casa de fumante é assim, o ar obrigatoriamente tem que circular.Quando chegava a noite as janelas eram fechadas para que pudéssemos  dormir.

Já havia escovado os dentes e pronta para fechar as janelas quando entro no quarto e levo um susto, um passarinho entrou pela janela e pousou em meu travesseiro e ali permaneceu, quietinho, até ser resgatado por nós, mesmo assustado era tão bonzinho, creio que era filhote. Foi uma alegria para os meninos cuidar do passarinho, o pai havia arranjado uma caixa de papelão e também água e comida.

Enquanto cuidavam do bichinho fiquei pensando... e analisando o acontecimento...
Fiquei questionando a relação entre a fé e o acaso, melhor dizendo, em como o acaso pode se transformar em algo sobrenatural  se você tiver fé ou simplesmente acreditar.

Imaginei a mesma circunstância em outra situação :
Era uma data especial, que fazia uma relação direta com minha pessoa, era meu aniversário, já havíamos comemorado durante o dia e a noite pouco antes de me recolher surge o passarinho e ainda por cima no meu travesseiro.

Imaginei naquele momento se estivesse morta, o que pensariam ?
Dependendo da fé, pensariam que o passarinho era o espírito da mãe, pousado no travesseiro.....
Essa reflexão parece bobagem mas naquela hora foi um questionamento profundo.

A fé é você acreditar que um simples acaso é algo especial ou divino, e Não É.
 O fato que eu não estava morta, ainda bem né ? mas convenhamos o passarinho entrou simplesmente porque a janela estava aberta.

Preciso desenhar ?!!!
Acho que não né ?!!!
Me desculpa se você tem fé.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

"A Motivação que faltava"

Desculpa se me estendo com a história do cigarro, mas é preciso finalizá-la.
A primeira semana não foi a mais difícil, isso porque estava motivada e firme no meu propósito.
Conforme o tempo foi passando, resistir ao cigarro, foi ficando uma tarefa árdua quase impossível.
O maço continuava no mesmo lugar, passava por ele sem desespero, mas a minha cabeça buscava razões e motivos que me fizessem desistir, afinal aquilo tudo era uma grande bobagem e não haveria mal algum em acender um cigarrinho de vez em quando.
Me sentia com dois ursinhos panda sobre os meus ombros, um vestido de anjinho, o outro de diabo, cada um me falando ao pé do ouvido, tentando me convencer para qual lado deveria ceder.
A cabeça da gente é mesmo muito doida, melhor dizendo, a minha cabeça, por anos o cigarro fora meu amigo e companheiro, gostava de fumar, e embora o vício estivesse me prejudicando visivelmente, não conseguia encará-lo como "O grande vilão".
Era justamente o contrário, queria estar perto de quem fumava só pra sentir o cheiro gostoso do fósforo acendendo o cigarro na primeira tragada. Nossa! como aquilo era bom!
Outro fator decisivo era a comida, as pessoas que fumam não comem, porque o cigarro substitui o alimento, sei que não foi apenas o cigarro que me fez emagrecer, mas deixar de fumar naquele momento implicava em uns quilinhos extras, e voltar a engordar não estava nos meus planos.
Foi quando descobri que coincidentemente estava grávida do meu segundo filho.
Essa foi uma motivação importante, mas não a decisiva. Raciocinei que se tivesse mesmo que engordar que fosse pelo menos por uma boa causa.
Havia se passado um pouco mais de um mês, estava me sentindo orgulhosa em ter parado com o cigarro, quando em uma manifestação de professores na Praça da Sé, reencontrei o professor José, contei-lhe animada sobre a novidade, quando levei um banho de água fria, simplesmente sorriu e disse que um mês não significava nada, que era muito cedo fazer tal afirmação.
O professor José estava no meu mais alto conceito, admirava-o profundamente, por isso fiquei arrasada, afinal foi um mês inteiro de sacrifício, mas por outro lado estava ali um grande desafio.
Os anos se passaram, revi o professor José certa vez, estava dando a minha aula quando a diretora Claudete nos apresentou sem saber que já nos conhecíamos. Ele era o novo Supervisor de Ensino da nossa escola.
Nos abraçamos, foi uma conversa muito rápida, me elogiou dizendo ser uma excelente professora de arte, fiquei sem jeito; e assim nos despedimos.
 Não tive coragem de lhe dizer que há mais de vinte anos deixara o vício de fumar.
 Ele foi embora sem saber que foram suas palavras naquela manifestação, que se transformaram na motivação que faltava.
                                            "Obrigada professor José".






quarta-feira, 19 de julho de 2017

"Minha escolha"

Estava tão determinada e certa que conseguiria parar de fumar.
Aquelas palavras não saíam da minha cabeça "fazer uma escolha".
Também não poderia encarar o cigarro como meu inimigo, já havia tentado outras vezes, e todas foram frustrantes.
Comecei o meu dia evitando algumas rotinas que me levariam a acender um cigarro. Fui fazendo o meu serviço doméstico, tentando distrair meus pensamentos.
Olhava o relógio, fazia as contas de quantas horas haviam se passado desde a noite anterior.
Estava impaciente, era impossível me concentrar. Os olhos percorriam a casa mas voltavam sempre para o mesmo lugar.
Lá estava ele, inteiro, branquinho, sobre a mesa.Como resistir a tamanha tentação?
Como uma coisinha tão pequena e insignificante poderia ser maior que eu ?
Não podia e não seria.
Estava tão determinada e já haviam se passado tantas horas, fumar, seria um retrocesso, e era só o meu primeiro dia.
Que desespero!!! Não, você não pode imaginar, a menos que seja um viciado e tenha tentado largar o vício seja ele de que natureza for.
Segurava o cigarro com as duas mãos, levava-o ao nariz, respirava fundo, queria sentir o odor, aquele cheiro me enebriava, era muito bom tê-lo ao meu alcance, eu só não podia ascendê-lo.
E aquela ansiedade foi se estendendo, e o desespero tomando conta de mim, era minha escolha em querer parar se digladiando com a vontade irresistível de ascender aquele "bendito cigarro".
Por fim, não aguentei, entrara numa guerra interior sem volta, era ganhar ou perder, olhei firme para o cigarro que já se encontrava em minhas mãos, e numa atitude primitiva quase irracional, levei-o a boca e comecei a mastigá-lo.
Impossível comer um cigarro, apenas quem tentou como eu ou que foi obrigado pelos pais, como acontecia muitas vezes, é que sabe ao que estou me referindo. É muito ruim, intragável, literalmente, não dá pra digerir.
Chorei, tinha vencido a primeira batalha, mas não a guerra.
Aquele dia foi um marco em minha vida.
Me conscientizei que o cigarro iria fazer parte de mim e que fumar é mesmo muito bom, apenas fiz a minha escolha.
Aceita um cigarro?
Não obrigada, não fumo.





"Parar de Fumar"

Qual fumante não pensou em algum dia parar de fumar ? Acho que muito poucos. A maioria das pessoas tem consciência dos seus malefícios, e tem sim vontade de parar, mas resistir ao vício não é uma tarefa fácil.
Aprendi a fumar com quinze anos de idade, essa escolha foi minha,poderia ter parado nos primeiros sintomas de mal estar, contudo me deixei seduzir pelo cigarro, achava bonito fumar, acreditava também que fumando iria emagrecer, e ficar magra não era um simples desejo, já tinha virado obsessão.
O exagero de fumar um maço por dia, veio justamente quando os meus pais descobriram, e também no momento em que passei a sustentar o meu vício.
Gostava de fumar, puxar a primeira tragada, deixar a fumaça invadir o meu corpo,entrar nos meus pulmões, segurar um pouquinho e só depois soltá-la pela boca, muito lentamente, prazerosamente bem devagarinho... ver a fumaça se dissipando no ar, formando desenhos em curvas....
Você é fumante ou ex-fumante? Sentiu vontade de fumar? eu também...
Houve algumas tentativas de parar, principalmente aquelas de final de ano, me juntava ao grupo, fazíamos um pacto, não fumaríamos mais, e um daria a força necessária para o outro. Devo admitir que todo fumante tem suas artimanhas, e eu não fugia a regra, me determinava por um tempo, mas logo na primeira dificuldade fraquejava, tendo sempre a tal da recaída. Começava tudo de novo, quando a gente retorna, parece que o vício se acentua, vai ficando cada vez mais difícil nos livrarmos dele.
Até que deixei de me importar, não fazia mais pactos inúteis e fumava quando tinha vontade, era viciada em nicotina e assumida.
Quando engravidei do meu primeiro filho, o médico do pré-natal me alertou que seria prejudicial para a criança devido as possíveis complicações para a saúde do meu bebê.
Qual mãe colocaria em risco a saúde do seu filho? Era imprescindível que parasse de fumar.
Claro que tentei, mas o meu estado emocional não colaborou nenhum pouco, estava sensível com a gravidez, tudo era novo, os sintomas, os enjoos, a ansiedade, aliado a isso o fato de meu marido ser também fumante e não abrir mão do cigarro.
Estava tão transtornada com a ausência da nicotina no meu organismo, que fui aconselhada pelo próprio médico a não parar, apenas diminuir.
Era exatamente o que queria ouvir.
Fumei antes, durante e depois do nascimento do meu filho Renato.
A consciência pesou muito, mas o maldito vício foi maior que tudo.
Fumava incansavelmente, até que o cigarro começou a me incomodar, quando chegava a noite, um pouco antes de dormir, me sentia enjoada, olhava para os dedos que seguravam o cigarro e os via defeituosos e amarelados, sentia como se a nicotina estivesse entupindo minhas veias.
Mas no dia seguinte tudo se repetia. Todos os rituais que inconscientemente associamos ao vício.
Até que certa noite, assistindo ao programa "Comando da Madrugada", o repórter Goulart de Andrade, exibiu uma matéria sobre dependência química, e a luta de algumas pessoas para se livrarem do vício, eram pacientes internados, que lutavam para se restabelecerem e voltarem "limpos" para suas vidas.
Aquela reportagem mexeu comigo, não parava de pensar, particularmente em um dos depoimentos.
O rapaz dizia que fora viciado em cocaína, que havia algum tempo não fazia uso da substância, e que fizera uma escolha,mesmo sabendo que jamais se livraria da dependência. Ele escolheu não fazer uso da droga.
Eureca!!!!! era isso!!!! uma "Escolha"!!!!
Fiz as primeiras associações, se ele deixou a cocaína, qual a dificuldade em deixar a nicotina?
Não podia ter ódio do cigarro, afinal fumar sempre foi bom,também não podia exigir que ninguém parasse de fumar só porque estava ao meu lado.
Era uma escolha a "minha escolha".
Acordei muito determinada, não jogaria o maço no lixo, não dessa vez. O cigarro não era meu inimigo, e não iria repetir o velho gesto do"pacto do réveillon" que nunca deu certo.
O maço estaria próximo e o cigarro sobre a mesa.
.....Continua....